Faz exatos 63 anos que o então governador Carlos Lacerda pisou na Casa Branca para um encontro que mudaria para sempre a forma como os estados brasileiros se relacionam com o mundo. Era 26 de março de 1962 quando Lacerda, com sua característica audácia, sentou-se com o presidente John F. Kennedy para discutir projetos que beneficiariam diretamente o Rio de Janeiro. Esse momento histórico não foi apenas um protocolo diplomático – foi o nascimento da paradiplomacia fluminense, décadas antes de o termo se tornar comum nas relações internacionais.

Hoje, quando analisamos os 50 anos da fusão entre o Estado do Rio e a Guanabara (1975), fica claro que o espírito internacionalista sempre esteve no DNA fluminense. Antes mesmo da criação da Assessoria de Relações Institucionais por Brizola nos anos 1980, ou dos recentes escritórios de representação no exterior propostos pelo governador Cláudio Castro, já tínhamos em Lacerda um precursor que entendia o poder das conexões globais.
O Rio de Janeiro, responsável por aproximadamente 12% das exportações brasileiras, continua sendo o estado mais ativo na paradiplomacia nacional. De eventos como a Rio+92 e as Olimpíadas de 2016 aos recentes acordos de cooperação tecnológica, mantemos essa tradição de olhar para além das fronteiras. Mas é fundamental lembrar que tudo começou naquela terça-feira de março de 1962, quando um governador brasileiro mostrou que os estados não precisam esperar pelo governo federal para construir pontes com o mundo.
Num momento em que o multilateralismo enfrenta crises e os municípios assumem cada vez mais protagonismo internacional, a lição de Lacerda permanece atual: na política externa como no desenvolvimento, a ousadia visionária é o primeiro passo para transformações duradouras. O Rio que hoje discute a abertura de novos escritórios no exterior é o mesmo Rio que, há 63 anos, ensinou ao Brasil como se faz paradiplomacia, na prática.















