Mortes no Rio crescem entre agentes e civis em ações policiais

Policiais retiram o corpo de um dos mortos na operação dos Tabajaras

As mortes no Rio de Janeiro envolvendo agentes de segurança pública e vítimas de operações policiais aumentaram significativamente nos primeiros quatro meses de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça. O estado lidera os números nacionais de assassinatos de policiais e mortes por intervenção de agentes do Estado.

De janeiro a abril, 37 agentes de segurança foram mortos no Rio, número que representa mais da metade dos 71 registros ocorridos em todo o país — e um crescimento de 106% em comparação ao mesmo período de 2024. Já o número de mortes provocadas por ações policiais passou de 212 para 285, uma alta de 34,4%.

Enquanto no Brasil houve queda geral de 0,3% nos óbitos por intervenção de agentes do Estado, no Rio os índices seguiram na contramão. Para efeito de comparação, São Paulo reduziu esses números em 11,4%. A disparidade reforça o cenário de escalada da violência no território fluminense.

Uma das mortes recentes que geraram comoção pública foi a de Herus Guimarães Mendes, de 24 anos, atingido por um disparo no abdômen durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul. Segundo a Polícia Militar, a incursão foi motivada por denúncia de homens armados na comunidade.

Na ação, que ocorreu no último sábado, além de Herus, outras quatro pessoas ficaram feridas enquanto participavam de uma festa junina organizada pelos moradores. O sargento Daniel Sousa da Silva, do Bope, afirmou em depoimento ser o único da equipe a atirar na operação. Ele diz ter reagido a tiros de traficantes e disparado 20 vezes com um fuzil calibre 5.56. A bala que matou Herus será periciada.

O caso gerou protestos. Familiares e amigos se reuniram nesta quarta-feira (11) em frente ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, no Centro, com cartazes cobrando respostas e justiça. O movimento, organizado por parentes de vítimas da violência policial, denunciou a lentidão das investigações e exigiu que o caso de Herus não seja mais um entre tantos.

“A gente não quer que o Herus seja mais um. Como vamos fazer daqui pra frente? Como trabalhar para que isso não aconteça mais?”, questionou Lucas Pessoa, amigo da vítima, em entrevista à TV Globo.

O aumento de mortes no Rio também está relacionado ao agravamento dos conflitos em áreas dominadas por facções criminosas e milicianos. Recentes operações como a do Complexo dos Tabajaras e do chamado Complexo de Israel evidenciam a intensidade da repressão e seus impactos na população civil.

Enquanto o número de mortos em ações policiais cresce, o número de agentes assassinados também evidencia os riscos enfrentados pelas forças de segurança. As autoridades locais ainda não anunciaram medidas concretas para conter essa escalada.

A violência no estado segue sendo um dos principais desafios enfrentados pelas políticas de segurança pública, que precisam equilibrar eficácia operacional com respeito aos direitos humanos. A sociedade civil, por sua vez, segue vigilante e exigindo justiça.

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