Morte do cão Orelha: adolescentes investigados voltam ao Brasil e passam por apreensão no aeroporto

cão Orelha

A morte do cão Orelha teve um novo capítulo nesta semana após dois adolescentes investigados pelo caso retornarem dos Estados Unidos ao Brasil. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, os jovens tiveram celulares apreendidos ainda no aeroporto, conforme determinação judicial expedida pela Vara da Infância e Juventude da Capital.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ullisses Gabriel, as medidas foram cumpridas pela Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), com apoio da Delegacia de Proteção ao Turista/Aeroporto (DPTUR) e da Polícia Militar de Santa Catarina.

Ainda segundo o delegado, o retorno antecipado dos adolescentes ao país foi identificado por meio de monitoramento conjunto com a Polícia Federal. Além da apreensão dos aparelhos eletrônicos, os jovens já foram formalmente intimados a prestar depoimento no curso da investigação.

Sobre o cão Orelha, foram cumpridos mandados de busca e apreensão de telefones celulares de dois adolescentes investigados que estavam fora do Brasil, deferidos pela Vara da Infância e Juventude da Capital, com aval da Promotoria da Infância e Juventude, detalhou Ullisses Gabriel, em publicação nas redes sociais.

Os celulares apreendidos serão encaminhados à perícia para extração de dados, procedimento semelhante ao realizado com os aparelhos recolhidos de outros investigados anteriormente. Também foi solicitada a emissão de laudo de corpo de delito referente ao animal, como parte do conjunto de provas reunidas no inquérito.

Em nota, a Polícia Civil informou que o cumprimento das ordens judiciais ocorreu em sala restrita do Aeroporto Internacional de Florianópolis, com o objetivo de preservar a segurança de todos os envolvidos e das demais pessoas que circulavam pelo local.

As investigações apuram o envolvimento de ao menos quatro adolescentes na agressão que levou à morte de Orelha, cachorro considerado mascote da região da Praia Brava, em Florianópolis. O animal chegou a receber atendimento veterinário após ser encontrado ferido, mas não resistiu.

O caso segue sob sigilo e inclui a análise de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de moradores e a apuração de possível participação de adultos em suposta coação no curso do processo. Três parentes dos adolescentes chegaram a ser indiciados por suspeita de intimidação de uma testemunha.

A repercussão do caso ultrapassou os limites de Santa Catarina e reacendeu, em nível nacional, o debate sobre a legislação brasileira de combate aos maus-tratos contra animais, mobilizando ativistas, personalidades públicas e representantes políticos de diferentes correntes.

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