Manoel Dias, uma vida dedicada à política e ao trabalhismo, nos deixa aos 88 anos em Florianópolis.
O cenário político brasileiro amanhece com a triste notícia do falecimento de Manoel Dias, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e ex-ministro do Trabalho e Emprego durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Dias faleceu na noite de sábado, 22, em Florianópolis, aos 88 anos.
A causa exata de sua morte não foi divulgada, mas ele estava hospitalizado devido ao agravamento de seu estado de saúde, tendo sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 2015. Sua partida encerra um ciclo de dedicação à política e às causas trabalhistas.
A notícia do falecimento foi confirmada e lamentada por diversas personalidades políticas, incluindo o atual presidente do PDT, Carlos Lupi, que expressou sua dor e saudade nas redes sociais, chamando Manoel Dias de amigo e destacando sua importância para o partido. Conforme informação divulgada pelo PDT, Manoel Dias deixa esposa, dois filhos, noras e netos.
Uma Carreira Marcada pela Luta e Resistência
Natural de Içara, Santa Catarina, Manoel Dias iniciou sua jornada política em 1962, sendo eleito vereador pelo PTB. Sua trajetória foi interrompida pelo golpe militar de 1964, que resultou na cassação de seu mandato e prisão. Em 1965, participou da fundação do MDB em Santa Catarina e, no ano seguinte, foi eleito deputado estadual.
O AI-5, em 1969, trouxe mais um revés, com a cassação de seus direitos políticos por dez anos. Durante esse período, Manoel Dias dedicou-se aos estudos, graduando-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1970 e atuando como advogado. Com a anistia, em 1979, mudou-se para Florianópolis, impulsionando a reorganização do trabalhismo.
Fundação do PDT e Passagem pelo Ministério do Trabalho
No início dos anos 1980, Manoel Dias foi peça fundamental na fundação do PDT, ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças. Ele também presidiu o partido em Santa Catarina e disputou diversas eleições, incluindo para deputado estadual, governador e vice-governador, sem obter êxito eleitoral nessas ocasiões.
Na década de 1990, Manoel Dias integrou o governo de Brizola no Rio de Janeiro, atuando como diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj). Sua ascensão na esfera federal ocorreu em março de 2013, quando assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego no governo Dilma Rousseff, permanecendo no cargo durante todo o primeiro mandato da presidente e no início do segundo.
Investigações Durante a Gestão Ministerial
A gestão de Manoel Dias no Ministério do Trabalho foi marcada por investigações sobre supostas irregularidades. Em setembro de 2013, a Operação Esopo da Polícia Federal desarticulou um esquema que teria desviado R$ 400 milhões da pasta, através de repasses a ONGs por serviços não prestados. Quatro servidores do ministério foram investigados e deixaram seus cargos.
Uma investigação do Tribunal de Contas de Santa Catarina apontou despesas consideradas “ilegítimas e genéricas” em convênios firmados com o ministério. Esses convênios haviam sido assinados pela esposa de Manoel Dias, Dalva Maria de Luca Dias, quando ela era secretária estadual em Santa Catarina. Na época, o ministério classificou as acusações como “infundadas”, afirmando que os convênios foram aprovados pelo Tribunal de Contas da União.
Em 2014, a Polícia Federal investigou suspeitas de participação de Dias em um esquema para empregar militantes do PDT como funcionários “fantasmas” em uma entidade que recebeu R$ 11 milhões do ministério. Um militante chegou a afirmar que Dias orientava o esquema. O ex-ministro negou veementemente as acusações, classificando-as como “ilações” e atribuindo a questão a desentendimentos pessoais no partido em Santa Catarina. Em depoimento na Câmara dos Deputados, ele chegou a se emocionar ao negar envolvimento no caso.
Legado e Reconhecimento
Manoel Dias ocupava, além de sua função como ex-ministro, os cargos de secretário-geral nacional do PDT, presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini e presidente do PDT de Santa Catarina. Sua partida representa uma perda significativa para o partido e para o movimento trabalhista no Brasil.














