Aeroporto cheio não basta

Aeroporto No Rio de Janeiro

Essa semana saiu um número daqueles que chamam a atenção de qualquer pessoa que trabalha com turismo. A aviação brasileira movimentou 11,9 milhões de passageiros em julho, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2000. É uma ótima notícia. Significa mais gente viajando, mais conectividade e um país que voltou definitivamente a ocupar os aeroportos.

Mas tem uma diferença que às vezes passa despercebida quando comemoramos esses recordes: passageiro não é necessariamente turista. E trazer gente até o aeroporto é apenas uma parte do trabalho.

Quem trabalha com turismo receptivo aprende isso muito rápido. O avião pode chegar cheio, o aeroporto pode bater recorde e, ainda assim, o destino não aproveitar todo o potencial daquela movimentação. Tem gente fazendo conexão, viajando a trabalho, visitando parentes ou passando apenas uma ou duas noites. E mesmo entre aqueles que vieram a lazer existe uma diferença enorme entre simplesmente passar pela cidade e realmente viver o destino.

No Rio, isso fica ainda mais evidente. O Galeão também vive um momento de crescimento e entrou em julho com previsão de receber quase 1,7 milhão de passageiros. Mais importante ainda é o avanço do movimento internacional. É muita gente chegando por uma das principais portas de entrada da cidade.

A pergunta que eu faço é outra: o que acontece depois que esse passageiro pega a mala?

Ele encontra facilidade para contratar um transporte seguro? Sabe quais experiências pode fazer além dos cartões-postais mais conhecidos? Recebe informação suficiente para montar melhor seus dias na cidade? Quem veio a trabalho consegue descobrir que pode ficar mais uma noite? Quem está no Rio pela primeira vez encontra motivos para voltar?

É aí que o número de passageiros começa a virar turismo de verdade.

Durante muito tempo, nós nos acostumamos a medir o sucesso do turismo pela quantidade de gente que chega. É claro que esse indicador é importante. Sem conectividade aérea, não existe destino competitivo. Mas precisamos avançar também na discussão sobre quanto tempo esse visitante permanece, quanto ele movimenta a economia local, quantos serviços contrata e, principalmente, qual experiência leva embora.

Porque turismo não acontece apenas no Cristo, no Pão de Açúcar ou na praia. Ele acontece no hotel, no restaurante, no motorista que faz o transfer, no guia, no passeio de barco, no comércio, no bar, no museu e em dezenas de pequenos negócios que dependem desse visitante circulando pela cidade.

Quanto melhor conseguirmos conectar essa cadeia, maior será o impacto de cada novo passageiro que desembarca aqui.

O recorde da aviação brasileira precisa ser comemorado. É sinal de um mercado forte e de uma população viajando mais. Mas ele também traz uma oportunidade que não podemos desperdiçar.

O avião faz uma parte importante do trabalho: coloca o passageiro na nossa porta.

Transformá-lo em turista é trabalho nosso.

Bruno Mann é empresário e CEO da Brazil Connection Turismo Receptivo

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