Morre Mãe Carmem do Gantois, referência do Candomblé, aos 98 anos

Mãe Carmem do Gantois

Morre Mãe Carmem do Gantois, ialorixá e uma das mais importantes lideranças religiosas do Brasil, aos 98 anos. A morte ocorreu na madrugada desta sexta-feira (26) e foi confirmada pelo Ilé Ìyá Omi À Ìyámase, conhecido popularmente como Terreiro do Gantois, localizado em Salvador, na Bahia. A causa da morte não foi divulgada.

Reconhecida como uma “mulher de axé” e guardiã da ancestralidade, Mãe Carmem era herdeira de uma linhagem fundamental para a história do Candomblé no país. Filha direta de Mãe Menininha do Gantois, uma das mais emblemáticas sacerdotisas da religião, ela dedicou toda a vida ao sagrado, à preservação dos ritos e à transmissão dos saberes tradicionais.

Em nota, o Terreiro destacou que Mãe Carmem foi formada desde a infância nos fundamentos espirituais da casa. Sua infância foi preparação espiritual; sua vida, missão. Nada em seu caminho foi acaso, diz o comunicado divulgado pela instituição religiosa.

A ialorixá esteve à frente do Terreiro do Gantois por 23 anos. Segundo a nota, sua morte ocorreu em uma sexta-feira, dia consagrado a Oxalá, orixá ligado à criação e à serenidade, símbolo que, segundo o texto, traduz uma trajetória marcada pela fé, pelo cuidado e pela retidão espiritual.

A morte de Mãe Carmem gerou grande repercussão. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, lamentou a perda e afirmou que teve o privilégio de conhecer a ialorixá como autoridade espiritual e como mulher de fé, marcada pelo acolhimento e pela liderança pelo exemplo.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também manifestou pesar, classificando a morte como uma grande perda para o povo de santo, para a Bahia e para o Brasil. A pasta destacou ainda o valor histórico e cultural do Terreiro do Gantois, reconhecido como espaço de memória da população negra no país.

A Secretaria de Cultura da Bahia ressaltou que Mãe Carmem deixa um legado de fé, espiritualidade e luta pelas religiões de matriz africana. Segundo a secretaria, sua história seguirá viva por meio das filhas e filhos de santo, responsáveis por manter a tradição e a força do Terreiro do Gantois.

Com a partida de Mãe Carmem, o Brasil perde uma de suas maiores referências religiosas e culturais, mas seu legado permanece como símbolo de resistência, ancestralidade e identidade para as futuras gerações.

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