Morreu nesta quarta-feira (30), em Niterói, o jornalista e radialista Luiz Antônio Mello, aos 69 anos, vítima de pancreatite. Reconhecido nacionalmente como um dos nomes mais influentes do jornalismo musical e da cultura radiofônica no Brasil, Mello foi o criador da lendária Rádio Fluminense FM, apelidada de “Maldita” por desafiar o convencional e apostar no rock brasileiro dos anos 80.
Com sua voz, ideias e ousadia, ele foi responsável por projetar nomes como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Engenheiros do Hawaii, Kid Abelha e tantos outros artistas que encontraram na Fluminense um espaço para se lançar no cenário musical nacional. Sua vida e a história da rádio inspiraram o longa “Aumenta Que é Rock n Roll”, estrelado por Johnny Massaro e produzido pela Globo Filmes. O filme também foi adaptado como minissérie exibida em TV aberta.
Luiz Antônio Mello nasceu em 1955 e começou sua trajetória profissional em 1971 no Jornal de Icaraí. Em seguida, passou pelas rádios Federal, Tupi e Jornal do Brasil, além do jornal Última Hora. Em 1981, criou a Fluminense FM ao lado de Samuel Wainer Filho, transformando a 94,9 em um símbolo de resistência cultural e inovação musical.
Ao longo da carreira, Mello foi além do rádio. Entre 1985 e 1990, atuou como consultor da gravadora Polygram, lançando campanhas de artistas como Eric Clapton, Dire Straits e Janet Jackson. Também foi o responsável por trazer ao Brasil o selo Windham Hill Records, referência em música new age, além de coordenar o projeto “Música dos Anos 90”, da Warner Music.
Como produtor musical, assinou trabalhos com nomes como Celso Blues Boy e Antônio Quintella. Foi também diretor da Rede Manchete, onde comandou programas como Domingo Especial e Shock, exibindo musicais internacionais. No setor público, chegou à presidência da Funiarte (Fundação Niteroiense de Arte), em 1989.
Em depoimento ao jornal O Dia, colegas de redação lembraram do entusiasmo de Mello com novos projetos e da sua paixão pela música: “Ele não parava. Sempre inventando, sempre provocando. A rádio Maldita era ele. A irreverência, a coragem, tudo tinha a cara do LAM”, disse um ex-produtor da Fluminense FM.
Nos anos 2000, participou da fundação da BandNews FM no Rio e criou sua própria rádio online, a Rádio LAM. Até recentemente, atuava como editor no jornal A Tribuna, de Niterói, onde seguia escrevendo colunas e provocando o debate cultural. Seu legado segue como referência para jornalistas, produtores e apaixonados por rádio.
Compositor de ideias, agitador de vozes e responsável por transformar o dial em palco para a revolução musical brasileira dos anos 80, Luiz Antônio Mello deixa a cultura brasileira em luto. Sua trajetória segue viva nas ondas do rádio, nas memórias de quem o ouviu e na história de uma geração que encontrou na Maldita um grito de liberdade.














