Moradores pedem ajuda para reforma do Teatro Elza Osborne em Campo Grande

Teatro Elza Osborne

A reforma do Teatro Elza Osborne virou um pedido urgente de moradores, artistas e frequentadores de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O espaço cultural enfrenta problemas estruturais e dificuldades financeiras que colocam em risco a continuidade das atividades no local.

Considerado um dos principais pontos culturais da região, o Teatro de Arena Elza Osborne é a primeira Lona Cultural da cidade e um dos poucos espaços dedicados a apresentações artísticas e atividades culturais no bairro.

Quem visita o local percebe sinais claros de desgaste na estrutura. Entre os principais problemas relatados estão a lona rasgada, infiltrações que permitem a entrada de água da chuva no palco, pinturas deterioradas e falta de acessibilidade adequada.

A situação fez com que o teatro suspendesse temporariamente algumas atividades. Para tentar viabilizar reparos emergenciais, a administração lançou nas redes sociais uma campanha de financiamento coletivo.

A meta da vaquinha virtual é arrecadar R$ 10 mil para ajudar nos primeiros reparos e manter o espaço funcionando.

O diretor do teatro, Christian Pierini, de 51 anos, contou que o local tem uma história longa ligada à cultura da Zona Oeste.

“Ele foi fundado em 1958, era um teatro a céu aberto que ficou paralisado durante o regime militar. Nos anos 1980, eu, minha mãe, Regina Pierini, e meu pai, Ives Macena, reativamos o espaço. Eu ainda era muito novo na época, mas comecei a trabalhar com eles, produzindo eventos e peças”, relatou.

Segundo o gestor, a estrutura passou a enfrentar maiores dificuldades a partir de 2022, quando terminou uma parceria de co-gestão com a Prefeitura do Rio que ajudava na manutenção do espaço.

Mesmo diante das dificuldades, a equipe continua realizando atividades culturais e participando de editais de fomento para manter o teatro ativo.

“Mesmo remendando o espaço, continuamos executando alguns projetos da Prefeitura, sobrevivendo por meio de editais de fomento. A gente encontrou muitas dificuldades para fazer reparos”, explicou.

A situação se agravou no início deste ano após uma forte chuva de granizo danificar ainda mais a lona do teatro, que já apresentava desgaste.

Apesar dos desafios, o grupo conseguiu recentemente um recurso para a compra de uma nova cobertura.

“Fomos contemplados por outro edital e o dinheiro foi transferido ontem para a compra da nova lona. Mesmo assim, o investimento só cobre o material. Por isso lançamos a vaquinha para ajudar na instalação e em outros reparos”, disse Christian.

A Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica da UFRRJ (Fapur) informou que um projeto de reforma do telhado, com investimento de R$ 1,59 milhão, está em andamento desde 2024.

Segundo a instituição, o processo exige estudos técnicos mais complexos, já que engenheiros identificaram a necessidade de mudanças estruturais no prédio, e não apenas a substituição do telhado.

Enquanto isso, moradores e artistas seguem mobilizados para preservar o espaço que marcou gerações de moradores da Zona Oeste.

O humorista Andrews Minehah lembra com carinho da importância do teatro em sua infância.

“A primeira vez em que eu fui ao teatro foi lá, aos 6 anos. Ver a Lona pausada é ter nosso point cultural fechado. Precisamos nos unir para tê-lo de volta”, afirmou.

Para o professor e ator Thomaz de Andrade, o espaço teve papel fundamental em sua trajetória artística.

“Tenho 25 anos de carreira dedicada ao teatro. Hoje sou professor e ator por causa da influência desse espaço que sempre foi muito importante para o bairro”, contou.

A DJ e atriz Carolina Muniz também destaca o impacto cultural do local na vida de muitos moradores.

“Esse teatro tem uma grande importância na minha vida como cidadã e amante da arte. Já tive aulas lá, fiz apresentações e conheci pessoas incríveis”, relatou.

Enquanto aguardam soluções estruturais mais amplas, moradores e artistas reforçam o pedido de apoio para garantir que o Teatro Elza Osborne continue sendo um ponto de encontro da cultura em Campo Grande.

Limpatech