O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, declarou nesta terça-feira (28) que não recebeu nenhum pedido de apoio do governo do Rio de Janeiro antes ou depois da megaoperação policial que resultou em dezenas de mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital.
Durante coletiva de imprensa em Fortaleza, onde foi homenageado com o título de Cidadão Cearense pela Assembleia Legislativa, Lewandowski afirmou: “Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro, nem hoje, nem ontem, absolutamente nada”.
A declaração surge após o governador Cláudio Castro (PL) afirmar que o estado está “sozinho nessa guerra” contra o crime organizado e que o governo federal não tem dado suporte suficiente nas ações de segurança.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que o governo federal atua em cooperação com o Rio desde 2023, por meio da Força Nacional e de operações integradas das polícias Federal e Rodoviária Federal. Segundo a pasta, “nesse período, foram realizadas centenas de ações que resultaram em prisões, apreensões de armas e drogas e na desarticulação de fábricas ligadas ao tráfico”.
Ainda de acordo com o ministério, todos os pedidos feitos pelo governo fluminense foram atendidos, e o órgão reforçou o compromisso de seguir atuando em parceria para o combate ao crime organizado e a garantia da segurança pública.
Mais cedo, Cláudio Castro havia classificado a megaoperação — chamada “Operação Contenção” — como uma “operação de defesa”, alegando que a crise da segurança no Rio “transcende a esfera estadual”. A ação conjunta das polícias Civil e Militar deixou 64 mortos, 81 presos e 75 fuzis apreendidos, segundo balanço oficial.
Durante os confrontos, ônibus foram sequestrados, itinerários alterados e o transporte público em diversas regiões da cidade ficou comprometido. O episódio reacendeu o debate sobre o papel do governo federal na coordenação nacional da segurança pública e no apoio aos estados em situações de conflito armado.
Confira a nota na íntegra
O Ministério da Justiça e Segurança Pública tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional no Estado, em apoio aos órgãos de segurança pública federal e estadual. Desde 2023, foram 11 solicitações de renovação da FNSP no território fluminense. Todas acatadas.
No âmbito da Polícia Federal (PF), só em 2025, foram realizadas 178 operações no Estado do Rio de Janeiro, sendo 24 delas relacionadas a tráfico de drogas e armas. Ao todo, foram 210 prisões efetuadas, das quais 60 estão diretamente relacionadas a investigações sobre o tráfico de drogas e armas.
No mesmo período, foram apreendidas 10 toneladas de drogas e 190 armas de fogo, incluindo 17 fuzis. Além disso, foram apreendidas cerca de 600 peças e acessórios de armas de fogo, capazes de moldar cerca de 30 fuzis.
Entre 2024 e 2025 (até outubro), foram 855 mandados de prisão cumpridos, sendo 462 no ano de 2024 e 393 no ano de 2025.
Entre as ações de destaque, estão a Operação Forja, que desarticulou uma fábrica clandestina com capacidade de produção de 3.500 fuzis por ano, destinados a comunidades dominadas pela facção Comando Vermelho; as operações Buzz Bomb e Libertatis, deflagradas em 2024, que prenderam os operadores de drones das duas principais facções criminosas em atuação no Rio de Janeiro.
Além disso, a PF coordena duas operações conjuntas com as forças de segurança do estado, FICCO/RJ e Redentor, que reforçam o compromisso comum de enfrentar o crime organizado de forma coordenada e eficiente.
De janeiro de 2023 a outubro de 2025, foram:
3.082 veículos recuperados;
13.961 munições apreendidas;
172 armas curtas apreendidas;
72 fuzis apreendidos;
8.250 pessoas detidas;
R$ 3.240.201,00 apreendidos (de origens ilícitas);
29.5 toneladas de maconha apreendidas;
3.9 toneladas de cocaína apreendidos;
73.990 unidades de drogas sintéticas.
Além disso, o estado tem sido atendido com doações de equipamentos, como veículos, computadores, drones, coletes e munições, que somam aproximadamente R$ 10 milhões.
O MJSP informa ainda que, no âmbito da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), tem desenvolvido uma série de iniciativas com o Governo do Rio de Janeiro, como a integração do Estado à Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e à Rede Nacional de Recuperação de Ativos de Facções Criminosas (Recupera).
Além disso, o MJSP e o Governo do Rio de Janeiro firmaram acordo de cooperação técnica para a criação da Célula Integrada de Localização e Captura de Foragidos, com foco na identificação, localização e prisão de criminosos de outras unidades da federação que se refugiam em comunidades fluminenses. A Célula realiza o cruzamento e análise de bancos de dados policiais e judiciais, a integração de mandados de prisão nacionais, com base na Lista dos Procurados do SUSP e na Matriz de Risco Nacional, e a coordenação de operações conjuntas de captura de criminosos prioritários.
Ainda, em 5 de fevereiro deste ano, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, esteve no Ministério da Justiça e Segurança Pública para uma reunião com o ministro Ricardo Lewandowski. À ocasião, o ministro atendeu a um pedido do Estado e ofereceu dez vagas em presídios federais para alocar lideranças criminosas do Rio de Janeiro.
“A missão é a cooperação total entre União e o RJ. Estamos empenhados em combater o crime de forma cooperativa e integrada. Esse é mais um exemplo da integração federativa que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pretende colocar em prática”, disse o ministro após o encontro.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reafirma seu compromisso com o Estado do Rio de Janeiro, promovendo a segurança pública por meio do apoio integrado.














