Ministro Marco Buzzi é afastado pelo STJ após novas denúncias de assédio

Ministro Marco Buzzi

O ministro Marco Buzzi é afastado pelo STJ após decisão unânime do plenário do Superior Tribunal de Justiça, que determinou o afastamento cautelar do magistrado enquanto são apuradas denúncias de assédio sexual. A sessão extraordinária foi convocada pelo presidente da Corte, Herman Benjamin, após o surgimento de um novo relato envolvendo o ministro.

Mesmo após a apresentação de um atestado médico de 90 dias, os integrantes do tribunal decidiram que Marco Buzzi não deve exercer suas funções durante o andamento da sindicância. No período, o ministro fica impedido de utilizar gabinete, veículo oficial e demais prerrogativas do cargo. Uma comissão para deliberar sobre o resultado das apurações foi marcada para o dia 10 de março.

Além da sindicância no STJ, o caso também é analisado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo informações apuradas nos bastidores, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, colheu depoimento de uma nova suposta vítima, o que resultou na abertura de outra reclamação disciplinar.

Em nota oficial, a Corregedoria Nacional de Justiça informou que segue realizando diligências e confirmou a oitiva de pessoa relacionada a “fatos análogos” aos já investigados. Os procedimentos tramitam sob sigilo legal.

Marco Buzzi é alvo de duas denúncias de assédio sexual. A primeira envolve uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, e a segunda foi encaminhada diretamente ao CNJ. O nome do magistrado foi divulgado após apuração jornalística, o que ampliou a repercussão do caso.

Antes da sessão extraordinária, Buzzi apresentou atestado assinado por médica psiquiatra, que indicou a necessidade de acompanhamento médico em razão de comorbidades como diabetes e hipertensão. À noite, o ministro enviou carta aos colegas do STJ afirmando ser inocente e declarando que provará isso no curso do processo. “De modo informal, soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio”, escreveu, acrescentando que a situação tem causado abalo à sua família.

Após o afastamento, a defesa do ministro manifestou discordância da medida cautelar, argumentando que não haveria risco concreto à investigação e que o magistrado já se encontrava afastado para tratamento médico. Os advogados afirmaram ainda que a decisão cria um precedente delicado ao afastar um magistrado antes do pleno contraditório.

O caso segue sob apuração em diferentes frentes do Judiciário e permanece sob sigilo, enquanto o afastamento cautelar mantém Marco Buzzi fora das funções até a conclusão das investigações — decisão que reforça a atenção institucional sobre denúncias envolvendo membros do alto escalão da Justiça brasileira.

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