Miliciano ameaça delegado de morte em audiência no Rio

Um homem apontado como integrante de uma milícia que atua no Rio de Janeiro ameaçou de morte um delegado da Polícia Civil durante uma audiência judicial realizada nesta semana. O episódio aconteceu em meio ao depoimento do réu, que acabou contido pelas equipes de segurança e agora vai responder por mais esse crime contra o agente de segurança pública.

O caso acendeu o alerta nos órgãos de inteligência do Estado do Rio de Janeiro, que já acompanham a rotina dos policiais ameaçados por organizações criminosas e milicianos. A conduta foi registrada imediatamente na ata da sessão e informada às autoridades competentes para a tomada de medidas cautelares e reforço na proteção do delegado.

Ameaça a delegado expõe avanço de milícias nas sessões de julgamento

As ameaças diretas a autoridades policiais e judiciais têm sido monitoradas de perto pelas forças de segurança da capital e da Baixada Fluminense. O réu, que já se encontrava preso preventivamente por crimes de extorsão e formação de quadrilha, usou a palavra durante a audiência de instrução para proferir ofensas e intimidar o delegado responsável pelas investigações que resultaram na sua prisão.

A atitude gerou uma interrupção momentânea no julgamento para que o réu fosse advertido e contido pelos inspetores e agentes penitenciários presentes. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro adotou os protocolos de segurança internos para garantir que a sessão continuasse em ambiente controlado e que os depoimentos das testemunhas fossem colhidos com total proteção.

Segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, a postura do suspeito demonstra a tentativa de coagir os profissionais envolvidos na repressão ao grupo armado. A corporação afirmou que não se intimida com ataques de criminosos e que o inquérito contra o grupo prossegue com novas fases programadas para os próximos dias na região metropolitana.

Como denunciar atuações de milícias anonimamente

Quem vive em áreas sob o domínio de paramilitares sabe o peso que o medo exercer na rotina do bairro. No entanto, os moradores do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense contam com canais seguros e 100% anônimos para repassar informações que ajudem as polícias a tirar esses criminosos de circulação e proteger a população.

O Disque Denúncia do Rio de Janeiro atende pelo telefone (21) 2253-1177 e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço garante o anonimato absoluto do denunciante, sem a necessidade de identificar nome, endereço ou número de telefone. Também é possível enviar fotos, vídeos e detalhes sobre locais de cobranças indevidas de taxas ou pontos de venda pelo aplicativo “Disque Denúncia RJ” ou pelo site oficial do serviço.

O que fazer se você for vítima de extorsão ou coação

Moradores e pequenos comerciantes atacados por milicianos que cobram taxas ilegais de água, luz, internet ou segurança privada devem buscar atendimento policial especializado. A orientação principal das autoridades é nunca tentar reagir ou confrontar os criminosos diretamente no local de trabalho ou residência.

As ocorrências podem ser registradas em qualquer Delegacia de Polícia (DP) do estado ou diretamente na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE), unidade focada no combate a essas quadrilhas. O atendimento presencial pode ser feito com suporte de advogados ou defensores públicos. O Boletim de Ocorrência também pode ser iniciado pela internet, por meio da Delegacia Online da Polícia Civil, nos casos em que não houver violência física imediata.

Como fica a segurança no entorno e a rotina da população

Casos de intimidação contra agentes de segurança costumam gerar desdobramentos nas regiões de atuação do grupo investigado. Nos próximos dias, a Polícia Militar deve reforçar o patrulhamento em bairros onde a quadrilha mantinha bases de extorsão, visando coibir represálias e proteger a população local.

Serviços essenciais como postos de saúde, escolas públicas e linhas de ônibus continuam funcionando sem alteração nos itinerários nas áreas monitoradas. No entanto, as forças de inteligência orientam os moradores a ficarem atentos a movimentações estranhas e a utilizarem os canais formais de denúncia sempre que notarem a presença de homens armados ou a cobrança de valores ilegais no comércio de bairro.

Quem responde por isso e quais os próximos passos

A investigação do caso e os desdobramentos do novo crime cometidos durante a audiência ficam a cargo da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). O acusado responderá por desacato, coação no curso do processo e ameaça, acréscimos que podem aumentar substancialmente a pena final em caso de condenação.

Além da esfera penal contra o réu, o Tribunal de Justiça avalia a necessidade de transferir o miliciano para um presídio federal de segurança máxima, afastando o detento de suas bases de comando no estado. O pedido de transferência costuma ser avaliado pela Vara de Execuções Penais e visa desarticular de forma definitiva a comunicação entre os presos e os integrantes que permanecem nas ruas do Rio de Janeiro.

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