Milícia em Rio das Pedras tem núcleo financeiro alvo de operação da Polícia Civil e MP

Presas durante a operação Intocáveis III

A milícia em Rio das Pedras teve o núcleo financeiro atingido por uma operação deflagrada na manhã desta sexta-feira. A ação é conduzida por agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Draco, em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro, e já resultou na prisão de seis pessoas.

Segundo as autoridades, os alvos são apontados como responsáveis pela sustentação econômica da organização criminosa que atua na região da Zona Oeste do Rio. Os mandados de prisão têm como foco integrantes que exerciam funções consideradas centrais dentro da estrutura financeira do grupo.

De acordo com as investigações, os presos atuavam na arrecadação de recursos ilícitos, na gestão e distribuição do dinheiro obtido ilegalmente, além do pagamento de despesas operacionais da milícia. Também são investigadas práticas de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores.

Os investigadores afirmam que o grupo utilizava empresas de fachada e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para dificultar o rastreamento dos recursos. A estratégia permitiria manter o funcionamento da milícia mesmo diante de ações policiais anteriores.

A operação faz parte da terceira fase da Operação Intocáveis e tem como objetivo desarticular o suporte econômico que sustenta a atuação criminosa em Rio das Pedras. Segundo a polícia, as diligências seguem em andamento e novas prisões não estão descartadas.

A milícia em Rio das Pedras

Rio das Pedras é considerada um dos principais berços da milícia no estado do Rio de Janeiro. A origem do grupo remonta ao fim da década de 1980, quando comerciantes da região passaram a pagar policiais para impedir a entrada de traficantes.

Com o passar dos anos, a localidade se consolidou como um dos poucos territórios do eixo Itanhangá–Jacarepaguá que permanecem sob domínio paramilitar, mesmo com a expansão de facções criminosas em áreas vizinhas.

Nos últimos meses, segundo as autoridades, a milícia intensificou os mecanismos de controle territorial e financeiro. Entre as práticas apontadas estão cobranças de taxas a comerciantes e moradores, além da exploração de serviços considerados essenciais, como fornecimento de gás, eletricidade, água, internet e TV a cabo.

Apesar do domínio histórico, a região já foi alvo de tentativas de avanço do Comando Vermelho, que controla comunidades próximas como Tijuquinha, Morro do Banco, Sítio do Pai João, parte da Muzema, além de áreas do Anil e da Gardênia Azul.

Para a Polícia Civil e o Ministério Público, enfraquecer o núcleo financeiro é uma das principais estratégias para reduzir o poder de atuação da milícia e limitar sua influência sobre a população local.

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