O Mercosul assina acordo com Suíça e Noruega nesta terça-feira (16), em encontro realizado no Rio de Janeiro com representantes da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), que também inclui Islândia e Liechtenstein. O tratado, negociado ao longo de oito anos, prevê a liberalização de 97% das exportações entre os blocos.
A medida promete facilitar o acesso a importados muito procurados, como chocolates e medicamentos suíços, além do bacalhau norueguês, que poderão chegar ao consumidor brasileiro com preços reduzidos. O governo avalia que o acordo reforça a posição do Brasil no comércio internacional, especialmente após os impactos de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a setores estratégicos.
Para o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o tratado é resultado de uma política de diversificação de mercados. A conclusão desse acordo é mais um passo nos esforços de ampliar a rede de parcerias comerciais do Brasil e do Mercosul. Depois de dez anos sem avanços dessa natureza, conseguimos também finalizar os tratados Mercosul-Singapura e Mercosul-União Europeia, destacou.
O texto prevê que a EFTA eliminará 100% das tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro, beneficiando diretamente as exportações brasileiras. O acordo abre acesso a um mercado de 15 milhões de consumidores de alta renda, com PIB estimado em US$ 1,4 trilhão.
Especialistas do setor privado avaliam que o tratado pode compensar parte das perdas provocadas pelas sobretaxas americanas em áreas como calçados, carnes, máquinas e móveis. A Abiec apontou que, embora a exportação de carne bovina para a EFTA ainda seja pequena, o acordo amplia perspectivas. Já a Abicalçados destacou que o grupo europeu importa mais de US$ 3 bilhões anuais em calçados, mas o Brasil representa menos de 1% desse total, o que abre espaço para crescimento.
A diretora da ICC Brasil, Gabriella Dorlhiac, ressaltou que a negociação fortalece a inserção brasileira nas cadeias globais de valor. Celebramos este marco como um avanço decisivo para a modernização da economia e o aumento da competitividade, afirmou.
O acordo Mercosul-EFTA inclui capítulos sobre investimentos, compras governamentais, medidas sanitárias, concorrência, desenvolvimento sustentável e resolução de controvérsias. A indústria de móveis também vê potencial de expansão, já que os países envolvidos valorizam design e sustentabilidade.
Embora considerado um marco, o tratado ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos nacionais para entrar em vigor. Até lá, setores estratégicos acompanham com expectativa a implementação e a possibilidade de novos acordos, em especial com a União Europeia.














