A megaoperação no Rio de Janeiro, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, entrou para a história como a mais letal do país. Em dois dias de confrontos, o número de mortos chegou a 119 — entre eles quatro policiais —, superando o Massacre do Carandiru, em São Paulo, que deixou 111 vítimas em 1992.
De acordo com o balanço oficial do Governo do Estado, 58 pessoas morreram na terça-feira (28), durante o primeiro dia da ação, sendo 54 suspeitos, dois policiais civis e dois agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Na manhã desta quarta (29), o total subiu após a localização de 61 corpos em uma área de mata na Serra da Misericórdia, no Complexo da Penha, onde ocorreram os confrontos mais intensos.
A operação, considerada a maior das últimas décadas, envolveu mais de 2,5 mil policiais civis e militares, além do apoio de helicópteros e blindados. Segundo o governo, o objetivo era capturar lideranças do Comando Vermelho e impedir o avanço territorial da facção. No entanto, o alto número de mortes provocou reações de órgãos de direitos humanos, que cobram transparência nas investigações e denunciam possível uso excessivo da força.
O episódio superou em letalidade o Massacre do Carandiru, que até então era o maior registro de mortes em uma ação policial no Brasil. Na ocasião, em outubro de 1992, 111 detentos foram mortos por policiais militares durante uma rebelião no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo. O caso se tornou um marco histórico da violência policial no país e até hoje é lembrado como símbolo de brutalidade estatal.
Comparações entre as duas tragédias já geram debates sobre os rumos da segurança pública brasileira. Enquanto o governo do Rio classifica a megaoperação como “bem-sucedida”, entidades civis destacam o risco de normalização da violência como resposta ao crime. Especialistas alertam que a escalada de confrontos em áreas urbanas pode agravar a tensão entre o Estado e as comunidades afetadas.
Com buscas ainda em andamento na região da Serra da Misericórdia, o número de mortos pode aumentar. A megaoperação, que começou como uma ação de cerco a traficantes, terminou como o maior episódio de letalidade policial da história do Brasil.














