MC Poze do Rodo pode virar investigado em CPI sobre roubo de carros no Rio

MC Poze do Rodo

O funkeiro MC Poze do Rodo pode virar investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Câmeras, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O artista foi oficialmente convocado para depor na próxima segunda-feira (20) sobre o roubo e a recuperação de seu carro de luxo — uma Land Rover Defender blindada — que foi devolvida poucas horas após o crime.

De acordo com o presidente da comissão, deputado Alexandre Knoploch (PL), caso MC Poze não compareça à oitiva, ele deixará de ser tratado como testemunha e passará à condição de investigado. O parlamentar reforçou que, por se tratar de uma CPI, a convocação tem caráter obrigatório e o compromisso com a verdade é exigido. A ausência injustificada pode, inclusive, resultar em condução coercitiva.

O funkeiro já havia sido chamado a depor no início de outubro, mas não compareceu nem apresentou justificativa. O objetivo da CPI é entender as circunstâncias da “devolução relâmpago” do veículo, que foi recuperado sem registro de operação policial. O caso levantou suspeitas entre os parlamentares sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas de proteção veicular e o crime organizado.

Criada para investigar empresas que lucram com a insegurança pública, a CPI das Câmeras apura a atuação de cooperativas, seguradoras e companhias de videomonitoramento que operam em vias públicas. Segundo Knoploch, há indícios de pagamento a criminosos, vínculos com milícias e uso indevido de estruturas de segurança. “É importante que esta CPI investigue como o veículo retornou. Eu mesmo já tive um carro subtraído e ele nunca foi devolvido”, afirmou o deputado.

Além de MC Poze, a comissão pretende ouvir empresários, representantes de cooperativas e responsáveis por empresas de segurança privada. A meta é esclarecer possíveis conluios entre grupos criminosos e prestadores de serviço, além de falhas contratuais e desvios de finalidade.

O caso de Poze do Rodo ganhou repercussão após o próprio cantor ironizar o episódio nas redes sociais. “Obrigado por quem se preocupou, mas nem era muito de se preocupar. Rio de Janeiro, nós é queridão”, disse o funkeiro em tom de deboche, completando: “Demorou até muito ainda”, em referência à rapidez com que o carro foi devolvido.

A CPI lembra que mentir ou omitir informações em depoimento pode resultar em responsabilização por falso testemunho, conforme o artigo 342 do Código Penal. A investigação segue em andamento e deve ouvir novas testemunhas nos próximos dias.

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