A sessão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro foi suspensa temporariamente nesta quinta-feira (15) após um grupo de manifestantes mascarados ocupar as galerias em protesto. A ação, que chamou atenção dos parlamentares e atrasou a pauta do dia, foi uma ironia direta ao ex-assessor parlamentar Luis Mauricio Martins Gualda, acusado de furtar objetos em um hotel de luxo usando uma máscara realista.
O protesto foi organizado durante uma sessão que tinha na pauta temas sensíveis como o Projeto de Lei Complementar que estende a chamada “Lei dos Puxadinhos”, além da proposta que obriga a fixação de cartazes informativos sobre os malefícios do aborto à gestante. Com a presença dos mascarados, o ambiente ficou tenso, e a sessão precisou ser interrompida por alguns minutos.
Luis Gualda, que é de Niterói, estava lotado no gabinete do vereador Rogério Amorim (PL), líder da bancada do partido na Câmara. O ex-assessor recebia um salário superior a R$ 15 mil e foi exonerado logo após a denúncia do crime. As imagens de segurança do hotel flagraram o uso da máscara hiper-realista, que teria sido utilizada para despistar a identidade do autor do furto.
Entre os presentes no protesto estava o secretário municipal de Conservação e vereador licenciado Didi Vaz (PSD), além de Bruno Santos, conhecido como Bruno Japonês, gerente executivo local de Copacabana. Ambos estavam uniformizados e também usavam máscaras, em clara alusão ao caso envolvendo o ex-assessor.
A ação também contou com a presença de João Pires, atual secretário do Procon carioca, também usando máscara. Segundo testemunhas, máscaras semelhantes foram distribuídas por pessoas ligadas ao gabinete do vereador Flávio Valle, ex-prefeito da Zona Sul. Valle já havia chefiado Bruno Santos em administrações anteriores e foi autor de uma recente lei municipal que proíbe a venda de bicicletas elétricas adulteradas.
Nas semanas anteriores, o vereador Rogério Amorim já havia se envolvido em polêmica ao se referir a João Pires como “Menudo de Paes”, criticando um empréstimo solicitado pela Prefeitura do Rio. Na ocasião, Amorim afirmou que os recursos seriam usados para financiar a “turnê política de 2026” de um ex-candidato a vereador derrotado em São Gonçalo — uma referência a Pires, que assumiu o cargo no Procon após as eleições.
Durante a sessão desta quinta, ao notar o grupo mascarado na galeria, Amorim se dirigiu diretamente a eles com um uivo, demonstrando incômodo com o protesto. Apesar do desconforto, ele reiterou que a exoneração de Gualda foi imediata após a confirmação das acusações.
A Câmara não informou se os manifestantes serão identificados formalmente. A sessão foi retomada pouco depois, mas os protestos chamaram a atenção por escancarar a tensão nos bastidores do Legislativo carioca, especialmente entre figuras próximas do governo municipal e vereadores da oposição.
O caso envolvendo Gualda segue sendo investigado pelas autoridades. Ele responde por furto qualificado e deve ser processado criminalmente. Já na Câmara, o episódio levanta debate sobre os critérios de contratação e a responsabilidade dos parlamentares na escolha de seus assessores.














