A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam nesta terça-feira Luana Rosa de Araújo, a Madrinha da Cidade Alta, no Complexo de Israel, Zona Norte do Rio. Ela é suspeita de chefiar o tráfico na Baixada Fluminense.
A prisão aconteceu logo no início da manhã, durante uma grande ação de segurança na comunidade. A mulher foi encaminhada para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, onde os procedimentos legais foram formalizados pelos agentes.
A queda da gerente financeira do tráfico no Complexo de Israel
Segundo as investigações da 38ª DP (Brás de Pina), Luana é considerada o braço-direito de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do Terceiro Comando Puro. As autoridades afirmam que ela exercia papel direto na contabilidade da facção criminosa e no controle das vendas de drogas.
Contra a investigada, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventidos que já estavam em aberto. Dois dos mandados são por homicídio e outros dois por associação para o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil.
Os delegados que acompanham o caso apontam que a prisão representa um forte golpe na estrutura financeira da quadrilha. Por ser uma pessoa de extrema confiança da chefia, a investigada circulava com desenvoltura entre diferentes favelas dominadas pelo grupo.
Quem é a Madrinha da Cidade Alta e qual era o papel dela?
Luana Rosa de Araújo tem 32 anos e ganhou o apelido por sua forte atuação na comunidade da Zona Norte. Segundo as investigações, como prova da confiança dada pelos chefes do grupo, ela teria recebido um fuzil cor-de-rosa para uso pessoal durante as ações criminosas.
Além de atuar na administração dos valores arrecadados com o comércio ilícito, a polícia afirma que ela tinha papel ativo em confrontos e ordens de ataques na região. No momento em que foi localizada pelos agentes nesta terça-feira, a mulher usava um adereço rosa no cabelo.
A defesa de Luana não foi encontrada para comentar a prisão até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para a manifestação formal de seus advogados de defesa.
Como a suspeita agia em Duque de Caxias e na Baixada?
As investigações policiais apontam que a atuação da suspeita se estendia para além do Complexo de Israel. Ela é apontada como chefe do tráfico de drogas no bairro de Imbariê e também na comunidade do Massapê, localizados no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
No Massapê, segundo a Polícia Civil, Luana é investigada por expulsar moradores de um condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida. As famílias teriam sido retiradas à força de seus apartamentos para que os imóveis fossem transformados em pontos de venda de drogas e locais de esconderijo para criminosos.
Os dois homicídios descritos nos mandados de prisão aconteceram justamente na comunidade do Massapê. A polícia também investiga a participação da mulher na ordem para ataques e queimadas de ônibus de transporte público na região de Caxias durante disputas territoriais.
Como ficou o trânsito e o transporte na região durante a operação?
A chegada das equipes policiais ao Complexo de Israel provocou momentos de grande tensão no início da manhã. Para tentar impedir o avanço dos blindados e das tropas, criminosos atearam fogo em barricadas nas vias de acesso às favelas da Cidade Alta, Vigário Geral e Parada de Lucas.
A ação contou com o apoio de diversos batalhões da Polícia Militar, incluindo o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas e o Comando de Operações Especiais. Por conta dos focos de incêndio e da movimentação policial, passageiros que usavam o transporte público e motoristas que passavam perto da Avenida Brasil precisaram redobrar a atenção.
A Polícia Militar informou que o policiamento ostensivo segue reforçado nos acessos ao conjunto de favelas e nas principais vias do entorno para garantir a circulação em segurança dos moradores da região e dos trabalhadores que usam as linhas de ônibus locais.
Como a população pode enviar informações e fazer denúncias?
A polícia reforça que a participação da população com informações anônimas é fundamental para combater o crime organizado e localizar pessoas com mandados de prisão em aberto no Estado do Rio de Janeiro.
Quem tiver informações sobre pontos de venda de drogas, esconderijos de armas ou paradeiro de procurados pela Justiça pode entrar em contato diretamente com o Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177 ou pelo WhatsApp do serviço. O atendimento funciona 24 horas por dia e o sigilo é absoluto.
Outra opção é procurar diretamente a delegacia mais próxima ou acionar a Polícia Militar pelo telefone de emergência 190 em caso de situações de risco imediato nas ruas ou no trânsito.















