Loja de Capinhas de Celular Movimentou R$ 50 Milhões para Facções Criminosas em Lavagem de Dinheiro

Bárbara Luzia Souza de Carvalho

Operação Policial Revela Esquema de Lavagem de Dinheiro Ligado a Facções Criminosas Através de Loja de Capinhas de Celular

Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado (MPRJ) desvendou um complexo esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 50 milhões em apenas dois anos, utilizando uma loja de capinhas de celular como fachada. O capital social declarado da empresa era de apenas R$ 50 mil, contrastando drasticamente com a vultosa quantia movimentada.

A operação, denominada Hawala, aponta para um envolvimento direto do Terceiro Comando Puro (TCP) no esquema. A empresária Bárbara Luzia Souza de Carvalho, proprietária da Babe Shopee Cell, foi presa em São Paulo junto com outras nove pessoas. A estrutura financeira do grupo criminoso, segundo as autoridades, teria se expandido interestadual e internacionalmente.

As investigações indicam que o esquema, que teria movimentado R$ 100 milhões em três anos, era utilizado para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas, beneficiando facções como o TCP, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Conforme apurado, a organização utilizava empresas de fachada, incluindo negócios de produtos falsificados e eletrônicos roubados, para suas atividades ilícitas, conforme divulgado pela Polícia Civil e MPRJ.

Desdobramentos da Operação Hawala e Prisões

A ação policial, que contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), cumpriu 37 mandados de busca e apreensão em endereços nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos investigados.

Ao todo, o Gaeco denunciou 22 pessoas, que foram aceitas pela Justiça, tornando todos réus. Entre os detidos estão os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados como peças centrais na expansão da rede criminosa. Outros presos incluem Ali Alfakih, Barbara de Oliveira Rosa, Lucas Gabriel Vidal, Samuel Morais da Hora, Thierry Martins Lourenço Ribeiro, Yago Jorge de Souza e Daniel Yasser Zayoun.

Origem da Investigação e Táticas Utilizadas

As apurações tiveram início na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que identificou uma loja no Complexo do São Carlos ligada à cúpula do TCP, comercializando produtos falsificados e recebendo eletrônicos roubados. Bárbara Luzia, esposa do proprietário dessa loja, figurava como dona da Babe Shopee Cell. A análise financeira revelou uma rede de dezenas de empresas de fachada espalhadas por diversos estados.

O grupo criminoso também empregava a prática de smurfing, que consiste em realizar depósitos fracionados em dinheiro para dificultar a rastreabilidade das operações pelos órgãos de controle. Essa tática visa a ocultar a origem e o destino dos valores ilícitos movimentados.

Possível Ligação com Terrorismo Sob Investigação

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou uma relação comercial entre uma empresa ligada ao grupo e Haytham Ahmad Shukri, um cidadão egípcio investigado pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de ligação com a organização terrorista Al-Qaeda. O delegado Pedro Brasil ressaltou, contudo, que ainda não há elementos suficientes para confirmar qualquer vínculo entre os investigados e o grupo extremista, mas a possibilidade está sob escrutínio.

A descoberta dessa conexão potencial adiciona uma nova camada de complexidade à operação, que já expôs um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro com ramificações internacionais, demonstrando a capacidade de adaptação e expansão das organizações criminosas no Brasil.

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