Líder do Santo Daime, acusado de violação sexual, é julgado nesta terça no Rio

Paulo Roberto Silva e Souza

O líder do Santo Daime acusado de violação sexual começa a ser julgado na tarde desta terça-feira (27), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Centro da cidade. Paulo Roberto Silva e Souza, de 76 anos, tornou-se réu após denúncias apresentadas por sua ex-assistente pessoal, a advogada Jéssica Nascimento de Sousa.

Segundo a acusação, Paulo Roberto responde pelos crimes de violação sexual mediante fraude e violência psicológica. O processo corre sob sigilo e teve início após a vítima procurar a delegacia, em setembro de 2024, relatando abusos ocorridos no contexto da relação profissional e religiosa.

No ano passado, o fundador da Igreja Céu do Mar, considerada a primeira instituição ligada ao Santo Daime fora da Amazônia, teve a prisão preventiva solicitada pelo Ministério Público do Rio. Após a divulgação do caso e relatos de outras mulheres, uma nova denúncia foi aceita pela Justiça, ampliando o alcance das investigações.

A defesa do réu tentou adiar a audiência, alegando risco de exposição de testemunhas em razão de uma manifestação pública contra abusos cometidos por líderes religiosos, prevista para ocorrer em frente ao fórum. Até o fechamento desta edição, no entanto, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro manteve o julgamento.

Os advogados de Paulo Roberto não responderam aos pedidos de posicionamento. O acusado, que também atua como psicólogo, é conhecido por expandir a doutrina do Santo Daime para outras regiões do país e do exterior.

De acordo com trechos do processo, a vítima relata que o líder religioso teria se aproveitado de fragilidades emocionais para convocá-la a supostas sessões de “terapia de cura”, durante as quais ocorreriam toques sem consentimento. A primeira abordagem teria ocorrido em abril de 2022.

Em decisões anteriores, a Justiça determinou medidas cautelares, como a entrega do passaporte e restrições para deixar o país sem autorização judicial. À época, pessoas próximas informaram que Paulo Roberto permanecia isolado em uma propriedade no sul da Bahia.

A advogada da vítima, Thayná Silveira, afirmou que a audiência deve ocorrer dentro da normalidade e ressaltou que manifestações públicas pacíficas não interferem no andamento do processo judicial. O julgamento deve ouvir testemunhas e analisar provas apresentadas pelas partes, podendo resultar em novas decisões ao longo dos próximos dias.

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