Justiça proíbe atuação organizada da torcida do Gama contra São José-RS
A Justiça do Distrito Federal tomou uma decisão drástica nesta sexta-feira, 14 de agosto, suspendendo a atuação organizada da Torcida Ira Jovem do Gama. A medida atinge a partida contra o São José-RS, válida pela Série D do Campeonato Brasileiro, que acontece neste domingo, 16 de agosto, no Estádio Bezerrão.
A determinação, emitida pela 9ª Vara Cível de Brasília, atende a um pedido de tutela de urgência feito pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A decisão visa prevenir novos atos de violência e garantir a segurança no entorno e dentro do estádio.
Conforme divulgado pelo MPDFT, a Ira Jovem e seus integrantes estão impedidos de entrar ou permanecer no Bezerrão de forma coletiva. Além disso, a proibição se estende ao uso de qualquer material que identifique a torcida, como uniformes, faixas, bandeiras ou instrumentos musicais. O Gama também não poderá facilitar ingressos ou qualquer tipo de acesso para a atuação organizada do grupo. A informação foi confirmada pela Justiça local.
Restrições Severas e Multa em Caso de Descumprimento
A decisão judicial impõe restrições severas à atuação da Ira Jovem. Ficam proibidas concentrações, deslocamentos e reuniões coletivas organizadas, tanto no estádio quanto em suas proximidades. A Sociedade Esportiva do Gama foi explicitamente proibida de fornecer ou facilitar ingressos, credenciais ou espaços para a torcida organizada.
O descumprimento de qualquer uma das determinações poderá acarretar uma multa de R$ 50 mil por cada ato irregular. Essa medida visa reforçar a seriedade da decisão e coibir qualquer tentativa de burlar as proibições impostas pela Justiça.
Risco de Violência Motiva Decisão Judicial
A magistrada baseou sua decisão em elementos que indicam o descumprimento de um acordo judicial anterior firmado pela torcida. Foi apontado um risco concreto de repetição de condutas violentas, o que motivou a intervenção judicial. A Justiça considerou que a ausência de torcida visitante não seria suficiente para afastar o risco de novos incidentes.
Registros de outros episódios de violência atribuídos a membros da Ira Jovem, mesmo após o acordo prévio, foram cruciais para a decisão. A juíza rejeitou o argumento da defesa de que a suspensão deveria ser individualizada, entendendo que a medida coletiva é necessária para prevenir novos conflitos.
Intervenção das Forças de Segurança é Determinada
A decisão judicial tem força de mandado e determina o cumprimento imediato das medidas. As forças de segurança pública, incluindo a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública, foram devidamente comunicadas. Elas deverão adotar as providências necessárias para fiscalizar e garantir o cumprimento das determinações durante a partida.
Relembre o Episódio de Violência em Julho
A suspensão da torcida organizada do Gama ocorre após um grave episódio de violência registrado em 26 de julho. Durante a partida entre Gama e América-RN, integrantes da Ira Jovem teriam derrubado barreiras de separação entre as torcidas e avançado contra os torcedores visitantes. O confronto resultou em pelo menos uma pessoa ferida e exigiu a intervenção das forças de segurança.
Um acordo judicial anterior entre o MPDFT e a torcida organizado previa a revogação de benefícios e a retomada de ação civil pública em caso de atos de violência praticados por seus membros durante um período de cinco anos. A decisão atual indica que os termos deste acordo foram descumpridos, levando à aplicação das sanções.














