Julio Le Parc morre aos 97 anos e deixa legado na arte cinética

Julio Le Parc

Julio Le Parc morreu aos 97 anos e deixou um legado decisivo para a arte cinética, a arte óptica e a arte contemporânea. O artista argentino, reconhecido mundialmente por suas pesquisas com luz, cor e movimento, teve a morte confirmada pela Galeria Nara Roesler, que o representava no Brasil desde 2001.

Nascido em Mendoza, na Argentina, em 23 de setembro de 1928, Le Parc teve uma infância simples antes de iniciar sua formação artística em Buenos Aires. No fim da década de 1950, mudou-se para Paris, cidade que se tornou sua casa e o principal centro de sua produção criativa.

Foi na capital francesa que o artista se consolidou como uma das vozes mais inovadoras da vanguarda europeia. Em 1960, participou da fundação do Groupe de Recherche d’Art Visuel, o GRAV, coletivo que defendia uma relação mais ativa entre obra e espectador.

Ao longo de quase sete décadas de carreira, Le Parc rompeu com a ideia de uma arte apenas contemplativa. Em suas obras, o público era provocado a se aproximar, circular, interagir e perceber como luz, movimento e posição do corpo poderiam transformar a experiência visual.

Grande parte de sua produção foi dedicada à investigação das possibilidades da cor, dos reflexos, das formas geométricas e dos deslocamentos luminosos. A partir de pinturas e guaches, o artista passou a desenvolver estruturas, objetos e instalações imersivas com materiais industriais e elementos suspensos.

Suas criações exploravam a instabilidade da percepção humana, fazendo com que cada visitante tivesse uma experiência diferente diante da mesma obra. Esse caráter experimental também aproximou públicos diversos da arte contemporânea, tornando sua produção mais acessível e participativa.

O reconhecimento internacional veio em 1966, quando Le Parc recebeu o Grande Prêmio Internacional de Pintura da Bienal de Veneza, uma das distinções mais importantes do circuito artístico mundial.

Com o passar dos anos, suas obras passaram a integrar coleções e exposições em instituições de referência, como o Centre Pompidou, em Paris, o Museum of Modern Art, em Nova York, e a Tate, em Londres.

No Brasil, a presença de Le Parc foi fortalecida pela parceria com a galerista Nara Roesler, iniciada em 1999 e oficializada em 2001. Desde então, a galeria realizou exposições dedicadas ao artista em São Paulo, Rio de Janeiro e Nova York, ampliando sua visibilidade junto ao público brasileiro.

Em comunicado, a Galeria Nara Roesler afirmou que Le Parc deixa um legado que alterou profundamente a forma como o público se relaciona com a arte.

“Julio não era apenas um mestre da arte cinética, mas também uma alma generosa que inspirou e guiou aqueles ao seu redor. Sua paixão pela criatividade e sua habilidade em transformar luz e movimento em experiências visuais inesquecíveis tocaram a vida de muitos”, afirmou a galeria.

A causa da morte não foi divulgada. Nos últimos anos, o artista enfrentava problemas de saúde, incluindo internações recorrentes por insuficiência respiratória e sequelas de um acidente vascular cerebral.

Mesmo aos 97 anos, Le Parc seguia ligado a projetos importantes. Uma grande retrospectiva de sua obra, intitulada Julio Le Parc: Light. Colour. Action., tem abertura prevista para este mês na Tate Modern, em Londres, reunindo trabalhos produzidos ao longo de sua extensa carreira.

Com uma produção marcada por invenção, movimento e participação, Julio Le Parc deixa uma obra que segue viva na maneira como o público enxerga, percorre e sente a arte.

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