Famílias de pedreiros mortos por PMs cobram justiça após anúncio de indenização

Família de Edivan Felipe realizou manifestação durante o enterro do pedreiro

As famílias dos pedreiros mortos por PMs em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, afirmam que o anúncio de indenização pelo Governo do Estado não encerra a dor nem substitui o pedido por justiça. Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, foram mortos após policiais militares confundirem um equipamento usado em obra com um fuzil.

Irmão de Marcelo, Inaldo Vicente da Silva, de 55 anos, disse que se reuniria nesta segunda-feira (1º) com advogados e representantes da Defensoria Pública do Estado do Rio para entender os procedimentos relacionados à indenização. Mesmo assim, ele reforçou que espera a punição dos policiais envolvidos.

“Nada paga a vida dele, nem uma indenização. Nada vai trazer ele de volta. Quero que a justiça seja feita. Hoje, vou ter uma reunião com o pessoal da Defensoria Pública, que vão me explicar melhor. Quero que a justiça seja feita e que os culpados sejam punidos para que não aconteça mais isso. Vamos fazer os procedimentos para ver o que o governo pode fazer com a família”, comentou, em depoimento ao jornal O Dia.

A advogada Camila Guimarães, que representa a família de Marcelo, afirmou que a defesa ainda não teve acesso formal a qualquer proposta oficial de indenização. Segundo ela, qualquer posição dos familiares e dos advogados depende da análise completa dos termos, dos fatos, das circunstâncias do caso e dos direitos legalmente cabíveis.

“Trata-se de matéria extremamente sensível, que exige responsabilidade e cautela. Neste momento, não é possível emitir qualquer juízo de valor ou manifestação conclusiva sobre o tema. Tem a indenização, mas também queremos a condenação efetiva dos policiais envolvidos. Quem fez a barbaridade e de quem foi conivente”, ressaltou, em depoimento ao jornal O Dia.

Cunhada de Edivan, Luciene dos Santos, de 35 anos, contou que o Governo do Rio já procurou a família para tratar da indenização, mas afirmou que esse não é o foco dos parentes neste momento.

“Minha irmã e a nossa família não estão pensando nisso. A gente quer justiça e que todos os envolvidos sejam presos. Não só afastados. Creio que estão agilizando as coisas assim porque repercutiu no país inteiro. Não acredito muito que terá uma punição do jeito que a gente quer, que seria a prisão dos envolvidos”, disse, em depoimento ao jornal O Dia.

Segundo Luciene, a companheira e a filha de Edivan seguem profundamente abaladas pela perda. Ela descreveu o pedreiro como um homem trabalhador, querido pela família e presente na rotina dos parentes.

“Ele chegou na nossa família pra fazer o bem. Era um cara que brincava com todo mundo e trabalhador. Minha irmã está sem chão. Eles faziam tudo juntos. Nem o bar e a pensão que os dois tinham, ela está conseguindo abrir. Minha sobrinha chora todo dia porque era muito agarrada com ele”, finalizou, em depoimento ao jornal O Dia.

No último dia 30, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou que a Procuradoria Geral do Estado inicie os trâmites legais para viabilizar o pagamento de indenização às famílias dos pedreiros.

Em nota, o Governo do Rio afirmou que as investigações devem ser conduzidas com absoluto rigor e transparência pelas polícias Civil e Militar, com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias do caso e garantir a devida responsabilização.

A Polícia Militar informou que os agentes envolvidos na ocorrência foram afastados do serviço nas ruas. Um procedimento apuratório interno segue em andamento na Corregedoria Geral.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Para os familiares, porém, a espera por respostas ainda é marcada pela dor de uma perda que nenhuma reparação financeira é capaz de apagar.

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