Julgamento de Lucinha no TJ-RJ: Eduardo Paes é convocado como testemunha

TJ-RJ inicia fase de provas em ação penal contra a deputada Lucinha, com depoimento de Eduardo Paes como testemunha de acusação.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) deu início à fase de produção de provas na ação penal que investiga a deputada federal Lúcia Helena Pinto de Barros, conhecida como Lucinha, e sua ex-assessora Ariane Afonso Lima. Ambas são acusadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de integrarem o núcleo político da milícia de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho.

Um dos nomes centrais na lista de testemunhas convocadas pelo MPRJ é o do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Sua oitiva estava agendada para a última quinta-feira (6), com o objetivo de esclarecer pontos cruciais da denúncia. As informações sobre a convocação de Paes foram inicialmente divulgadas pelo jornalista Ralfe Reis, do Tribuna NF, e posteriormente checadas pelo Ururau.

A inclusão de Eduardo Paes como testemunha de acusação e a solicitação de seu endereço atualizado para fins de intimação demonstram a relevância de seu depoimento para o desenrolar do processo. A acusação aponta que Lucinha e Ariane teriam utilizado suas posições políticas para beneficiar integrantes da organização criminosa, conforme elementos reunidos durante a Operação Dinastia I.

Acusação detalha suposta atuação política em favor da milícia

Segundo a denúncia apresentada pelo MPRJ, Lucinha e Ariane fariam parte do chamado núcleo político do “Bonde do Zinho”, também conhecido como “Tropa do Z” ou “Família Braga”. A promotoria sustenta que as parlamentares teriam se envolvido em ações políticas com o intuito de favorecer membros da organização criminosa.

O processo teve seu início formal em dezembro de 2025, quando o Órgão Especial do TJRJ aceitou a denúncia do Ministério Público, tornando Lucinha e Ariane rés na ação penal. A investigação aponta que as duas teriam, inclusive, repassado informações estratégicas para o grupo.

Eduardo Paes teria sido alvo de repasse de informações privilegiadas

Um dos episódios centrais na denúncia do MPRJ envolve o ex-prefeito Eduardo Paes. De acordo com a acusação, em julho de 2021, Lucinha e sua ex-assessora teriam compartilhado com integrantes da milícia informações sobre a agenda de visitas de Paes à Zona Oeste do Rio de Janeiro. O objetivo seria permitir que membros do grupo criminoso se ausentassem de determinadas áreas antes da chegada do então prefeito.

É nesse contexto que o depoimento de Eduardo Paes se torna fundamental para a acusação. Embora o documento judicial que determinou sua oitiva não detalhe as perguntas a serem feitas, espera-se que o ex-prefeito possa trazer luz a esses eventos. É importante notar que Lucinha e Paes são aliados políticos de longa data, o que adiciona uma camada de complexidade ao caso.

Duas audiências marcadas para a instrução processual

A Justiça do Rio de Janeiro estabeleceu duas audiências para a fase de instrução do processo. A primeira ocorreu em 6 de agosto, focada na oitiva das testemunhas indicadas pelo Ministério Público, incluindo Eduardo Paes. O ato foi realizado na 40ª Vara Criminal, no Centro do Rio.

A segunda audiência está agendada para 13 de agosto, no mesmo horário e local. Nesta data, serão ouvidas as testemunhas indicadas pelas defesas das rés, seguidas pelos interrogatórios de Lucinha e Ariane. A fase de instrução é crucial para a coleta de evidências e depoimentos que fundamentarão a decisão judicial.

Outras testemunhas e o papel da defesa

Além de Eduardo Paes, o Ministério Público também indicou como testemunha o delegado da Polícia Federal Jaime Cândido da Silva Júnior, atualmente lotado na Diretoria de Inteligência da PF em Brasília. O MP solicitou que o delegado fosse ouvido preferencialmente por videoconferência.

Outro nome incluído no rol de testemunhas é o do promotor de Justiça Bruno Humelino de Oliveira. A Justiça buscou informações sobre a possibilidade de seu comparecimento presencial ou depoimento remoto. A defesa de Lucinha, por sua vez, havia indicado o ex-governador Cláudio Castro como testemunha, mas desistiu da oitiva antes da audiência.

A fase de instrução permite que acusação e defesa apresentem seus argumentos e provas. Após a coleta de todas as evidências e depoimentos, as rés serão interrogadas. O processo é relatado pelo desembargador Milton Fernandes de Souza, com os atos de instrução delegados à juíza Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto.

O Ministério Público sustenta que a milícia de Zinho possuía diversos núcleos de atuação, e que Lucinha e Ariane integrariam a estrutura política da organização. A denúncia detalha supostas interferências da parlamentar em favor de membros do grupo criminoso e o fornecimento de informações privilegiadas. As acusações ainda serão analisadas durante o processo judicial, que visa reunir provas e ouvir testemunhas antes da decisão final. O processo não tramita em segredo de justiça.

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