Jaguar, lenda do humor gráfico brasileiro, morre aos 93 anos no Rio de Janeiro

Jaguar

Morreu neste domingo (24), no Rio de Janeiro, Jaguar, lenda do humor gráfico brasileiro, aos 93 anos. O cartunista estava internado há três semanas no hospital Copa d’Or, tratando de uma pneumonia, mas o quadro se agravou nos últimos dias e evoluiu para insuficiência renal, segundo os familiares.

Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe nasceu em 1932, no Estácio, e desde cedo se envolveu com artes e literatura. Iniciou sua trajetória em 1952, quando ainda trabalhava no Banco do Brasil e publicou seus primeiros desenhos na revista Manchete, adotando o pseudônimo Jaguar.

Nos anos 1960, firmou-se como um dos grandes nomes do cartum nacional, com passagens por revistas e jornais como Senhor, Semana, Última Hora e Tribuna da Imprensa. Em 1969, foi um dos fundadores do histórico semanário satírico O Pasquim, ao lado de Tarso de Castro e Sérgio Cabral, permanecendo até o fim da publicação, em 1991. Criador do personagem Sig, o ratinho psicanalista, deixou uma marca única no humor nacional.

Durante a ditadura militar, Jaguar enfrentou perseguições políticas e chegou a ser preso por três meses em 1970, após uma charge considerada ofensiva pelo regime. Décadas depois, foi reconhecido pela Comissão de Anistia e indenizado.

Após o fim de O Pasquim, Jaguar tornou-se editor no jornal A Notícia e, posteriormente, colunista de O DIA, onde por mais de três décadas assinou a seção “Boteco do Jaguar”. Seu estilo irônico e irreverente, que ele próprio dizia ser “de quem não sabe desenhar”, marcou gerações e inspirou novos artistas.

Além do humor gráfico, Jaguar teve papel relevante na vida cultural do Rio, sendo um dos criadores da Banda de Ipanema, em 1964, bloco que ajudou a revitalizar o carnaval de rua. Recebeu homenagens como a Medalha Pedro Ernesto, mas nunca deixou de manter sua postura crítica e contestadora.

Com uma carreira que atravessou mais de 70 anos, Jaguar deixa um legado de resistência, criatividade e irreverência, consolidando-se como um dos maiores nomes da cultura brasileira.

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