O jacaré ameaçado de extinção em Duque de Caxias surgiu durante os alagamentos causados pelo forte temporal que atingiu a cidade na noite de segunda-feira (19) e a madrugada desta terça-feira (20). O animal apareceu no bairro Jardim Gramacho e foi capturado por moradores; vídeos que circularam nas redes sociais mostram o réptil sendo arrastado por uma rua tomada pela água.
Segundo especialistas, trata-se de um jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), a única espécie de jacaré encontrada em todo o estado do Rio de Janeiro e que se encontra ameaçada de extinção. A identificação foi feita pelo biólogo Ricardo Freitas Filho, presidente do Instituto Jacaré.
“É exatamente o animal que aparece no vídeo. Trata-se de uma espécie ameaçada de extinção no estado. Pelo que eu vi, as pessoas acabaram matando o animal, o que configura crime ambiental. Isso se agrava por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção no Rio de Janeiro” (em declaração ao jornal).
De acordo com o biólogo, a presença do jacaré em áreas urbanas tende a aumentar em períodos de chuva intensa. Com rios e córregos transbordando, os animais passam a circular por ruas alagadas como forma natural de deslocamento.
“As ruas ficam alagadas, o animal está no rio, o rio transborda e a cidade fica alagada. Qual é a diferença para o animal? Ele nada pela cidade. Inclusive, é uma forma de deslocamento mais fácil para ele” (explicou).
O especialista reforça que a orientação correta é não tentar capturar o animal e acionar os órgãos responsáveis pelo resgate. Em Duque de Caxias, a recomendação é chamar o Corpo de Bombeiros, preferencialmente com equipes especializadas, ou aguardar o escoamento da água, quando o jacaré tende a retornar ao seu habitat.
“O ideal é chamar o Corpo de Bombeiros para realizar o resgate adequado. Outra alternativa é aguardar a água escoar, porque o animal tende a seguir o caminho dele” (orientou).
Ainda segundo o biólogo, jacarés-de-papo-amarelo não costumam atacar pessoas. Situações como a registrada em Jardim Gramacho colocam em risco tanto a população quanto o próprio animal.
“As pessoas ficam apavoradas e acabam matando o animal por falta de informação. Assim, os jacarés acabam sendo vítimas duas vezes: primeiro, porque perdem o ambiente natural; segundo, porque são mortos por pessoas que acreditam estar se protegendo” (alertou).
Matar jacaré é crime ambiental no Brasil, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998). A prática pode resultar em pena de seis meses a um ano de prisão, além de multa, especialmente quando envolve espécie ameaçada de extinção e manejo sem autorização do IBAMA.














