Igrejas e comércio no Andaraí fecharam as portas nesta quinta-feira (2) após ameaças de criminosos que exigem o pagamento de uma chamada “taxa de segurança”. Segundo relatos, os bandidos ligaram para paróquias e estabelecimentos, cobrando valores que variam entre R$ 400 e R$ 6 mil mensais, dependendo do porte do local.
Entre os alvos das extorsões estão a Paróquia São José e Nossa Senhora das Dores, na Rua Barão de Mesquita, e a Paróquia São Cosme e São Damião, na Rua Leopoldo, ambas na Zona Norte do Rio. Após a cobrança, atividades religiosas foram suspensas e avisos afixados nas entradas dos templos informaram aos fiéis sobre o cancelamento das programações.
Ligaram por volta de 11h pedindo para falar com o pároco. Disseram que não queriam ter problemas com as igrejas e pediram uma contribuição de R$ 1 mil. O padre respondeu que não poderia pagar, porque o dinheiro era da igreja. Então, ameaçaram fechar a igreja por tempo indeterminado — relatou uma testemunha em depoimento ao jornal O Globo.
No Grajaú, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também recebeu uma ligação anônima pedindo para falar com o padre. Apesar da tentativa de intimidação, a igreja manteve suas atividades normalmente ao longo do dia. A Arquidiocese do Rio confirmou que algumas paróquias cancelaram suas missas “por prudência, devido à instabilidade e a possíveis conflitos registrados na região”.
Nas ruas do Andaraí, lojas também amanheceram fechadas. Comerciantes denunciam que o pagamento da taxa é cobrado há pelo menos cinco anos, geralmente via PIX, mas em algumas ocasiões pessoalmente. Quem se recusa a pagar sofre represálias, como assaltos frequentes e ameaças diretas.
Hoje só abriu quem já paga a mensalidade. Quem não paga está sendo cobrado. Pequenos comércios pagam cerca de R$ 400, mas mercados e estabelecimentos maiores chegam a desembolsar até R$ 6 mil. Não tem como fugir; temos que incluir essa taxa como despesa fixa. Até motoboys pagam caro para trabalhar na região — contou uma lojista da Barão de Mesquita em depoimento ao jornal O Globo.
A rotina de medo se soma aos frequentes confrontos armados entre traficantes do Comando Vermelho, que domina o Morro do Andaraí, e do Terceiro Comando Puro, no Morro do Cruz. Na última semana, um tiroteio nas proximidades da Paróquia São Cosme e São Damião deixou um homem morto e interrompeu uma missa.
Na quinta-feira, a Rua Leopoldo, uma das principais entradas do morro, estava ocupada por blindados da Polícia Militar. O 6º BPM, em conjunto com a UPP do Borel, intensificou o policiamento para evitar novos confrontos. A Polícia Civil informou que as denúncias de extorsão serão investigadas pela 20ª DP (Vila Isabel).
Não temos sensação de segurança para transitar na área, infelizmente. É ruim para todo mundo — lamentou um morador em depoimento ao jornal O Globo.














