A igreja usada como boca de fumo em Petrópolis foi alvo de uma operação conjunta das polícias Civil e Militar, que resultou na prisão de cinco suspeitos dentro do próprio espaço religioso, no bairro Bingen.
De acordo com as investigações, o grupo criminoso teria invadido a Capela São Paulo Apóstolo, localizada na Rua João Xavier, e transformado o local em base para o tráfico de drogas e moradia. As atividades religiosas foram interrompidas, e moradores relataram intimidações e ameaças.
Durante a ação, os agentes encontraram um cenário considerado atípico até mesmo para equipes experientes. No interior da capela, havia sinais de uso contínuo como residência, com colchões, roupas espalhadas e estrutura improvisada para alimentação.
Um dos pontos que mais chamou atenção dos policiais foi a situação em que dois dos suspeitos foram encontrados.
“Quando a equipe entrou para fazer a rendição, o casal estava sem roupa dentro da igreja. Era um cenário completamente fora do comum”, relatou um dos investigadores que participou da operação.
Segundo os agentes, o grupo retirou bancos e objetos religiosos do local, concentrando imagens sacras em um único cômodo. O altar, que antes era utilizado para celebrações, passou a ser usado como espaço de descanso.
Além disso, o imóvel também funcionava como ponto de venda de drogas. Durante a operação, foram apreendidas 62 cápsulas de cocaína, 25 tabletes de maconha e uma quantia em dinheiro. Parte do material estava escondida dentro da própria igreja.
As investigações apontam que alguns dos envolvidos seriam oriundos de Belford Roxo e estariam na região há cerca de dois meses, com apoio de criminosos locais. Entre os detidos, há suspeitos com antecedentes por tráfico.
Moradores da região relataram que o grupo impôs regras na comunidade, incluindo a proibição de missas e outras atividades religiosas, alterando a rotina de um bairro considerado tranquilo.
Outro elemento que chamou atenção durante a ação foi a presença de um animal silvestre mantido no local, o que também será apurado pelas autoridades.
O caso segue sob investigação para identificar outros envolvidos e esclarecer como ocorreu a ocupação do espaço religioso pelo grupo criminoso.
Em nota, a Diocese de Petrópolis lamentou o ocorrido e informou que pretende dar continuidade às atividades religiosas na comunidade.
E, diante de um episódio que surpreendeu até os próprios agentes, o caso agora levanta questionamentos sobre até onde organizações criminosas podem avançar em áreas antes consideradas seguras.














