Hospital da Lagoa opera sem alvará e com leitos fechados no Rio

Hospital da Lagoa

O Hospital da Lagoa, na Zona Sul do Rio, segue operando sem alvará do Corpo de Bombeiros, de acordo com um relatório do Ministério da Saúde. A unidade, referência em atendimentos de média e alta complexidade, enfrenta problemas estruturais e a falta de profissionais, o que tem impactado diretamente pacientes e funcionários.

Segundo o documento oficial, quase 30% dos leitos estão fechados, o que representa 70 vagas. A escassez de médicos e enfermeiros, aliada à precariedade nos equipamentos cirúrgicos, agrava a situação. O hospital está sob análise para uma possível fusão com o Instituto Fernandes Figueira (IFF), da Fiocruz, que também enfrenta dificuldades — 9% dos leitos do IFF estão bloqueados devido a obras.

Desde maio, os 12 leitos da enfermaria de ortopedia do Hospital da Lagoa permanecem desativados pela falta de profissionais. Parte da estrutura deve ser transferida ao Into, outra unidade que enfrenta problemas semelhantes, com dezenas de leitos parados.

“Aqui na recepção aguardando o atendimento, eles me encaminharam uma mensagem no WhatsApp falando que iriam ter que reagendar a minha cirurgia para o dia 18 de dezembro. Só isso. Mas daqui a cinco meses, qual é a justificativa? Eu sigo com dores, porque os remédios não fazem efeito, eu sinto formigamento, sinto dor, acordo de madrugada, e eles não dão posicionamento”, desabafou a corretora de imóveis Isabella Fernandes ao jornal O Dia.

O primeiro motivo informado para o adiamento foi a indisponibilidade da sala cirúrgica no período da tarde. Posteriormente, segundo Isabella, o próprio médico explicou que a cirurgia foi cancelada pela falta de anestesista, prometendo reagendar para o dia 24 de julho.

Em nota, o Ministério da Saúde confirmou o adiamento e afirmou que precisou priorizar uma cirurgia de emergência na unidade. A pasta disse ainda que está em contato com a paciente para apresentar desculpas e resolver a situação.

O cenário do Hospital da Lagoa evidencia não apenas a ausência de profissionais, mas também falhas graves na infraestrutura, como salas de cirurgia inoperantes e a falta de medidas básicas de segurança, incluindo o sistema contra incêndio.

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