Homem é preso por plantar maconha para seita em Friburgo

151 DP

Um homem foi preso em flagrante por policiais civis da 151ª DP (Nova Friburgo), na Região Serrana do Rio de Janeiro, acusado de plantar e distribuir maconha para membros de uma seita religiosa. A prisão ocorreu na última sexta-feira (6), e segundo as investigações, a droga era utilizada logo após cerimônias realizadas pelos praticantes.

De acordo com os agentes responsáveis pelo caso, o suspeito é um cidadão colombiano que mantinha uma pequena plantação de cannabis em sua residência, com o objetivo de abastecer exclusivamente os membros da seita. Ele não teve o nome divulgado pelas autoridades, mas já está à disposição da Justiça e deve responder pelo crime de tráfico de drogas.

A seita, segundo os investigadores, adotava práticas alternativas e acreditava que a maconha plantada com cuidado e intenção espiritual poderia ser usada como forma de conexão durante os rituais. Por esse motivo, os participantes evitavam adquirir a substância de fontes ligadas ao tráfico.

“Eles justificaram que a maconha vinda das mãos do tráfico carregaria energias negativas, o que interferiria nas cerimônias”, relatou um policial envolvido na ação, em depoimento ao jornal O Dia. Essa convicção levou o grupo a recorrer ao cultivador colombiano, que passou a ser o fornecedor exclusivo para as atividades religiosas.

Durante a operação, os policiais apreenderam diversas mudas de maconha que estavam em estágio de crescimento, além de porções prontas para o consumo. As plantas eram cultivadas em ambiente fechado, com o uso de iluminação artificial e sistema de ventilação, demonstrando uma estrutura montada especialmente para o cultivo.

As autoridades também identificaram anotações com nomes de membros da seita e registros de pagamentos, o que reforçou a suspeita de comércio ilegal da droga. Apesar do uso religioso alegado, a legislação brasileira não permite o cultivo e a comercialização de maconha, o que motivou o flagrante.

A prisão chamou a atenção dos moradores de Nova Friburgo e reacendeu o debate sobre a liberdade religiosa e os limites da lei penal. Embora alguns seguidores da seita tenham tentado argumentar que o uso era estritamente cerimonial, a Polícia Civil esclareceu que o tráfico independe da finalidade alegada e permanece sendo considerado crime.

O colombiano segue detido e será encaminhado para audiência de custódia nos próximos dias. Ele poderá ser indiciado com base na Lei de Drogas, que prevê pena de cinco a quinze anos de reclusão para casos de tráfico, especialmente quando envolve cultivo e distribuição.

O caso ainda está em investigação, e a Polícia não descarta a possibilidade de intimar outros membros da seita para prestar esclarecimentos. O local onde as cerimônias eram realizadas ainda não foi divulgado, mas os agentes garantem que o foco agora é entender se havia participação coletiva no cultivo ou apenas a compra da droga já pronta.

Enquanto isso, representantes da seita continuam sustentando que a maconha cultivada pelo suspeito era “pura” e energicamente adequada para os rituais. A justificativa, porém, não deve impedir o andamento do processo judicial.

Limpatech