Hacker invade aplicativo de supremacistas brancos e vaza dados de usuários, incluindo brasileiros

aplicativo de supremacistas brancos

O aplicativo de supremacistas brancos foi alvo de uma invasão hacker que resultou no vazamento de milhares de dados de usuários, incluindo perfis localizados no Brasil. A ação foi assumida por uma ativista alemã conhecida como Martha Root, que afirmou ter derrubado três plataformas ligadas a movimentos de supremacia branca durante uma apresentação pública em uma conferência de cibersegurança na Alemanha.

Segundo a hacker, foram retirados do ar os sites WhiteDate, WhiteChild e WhiteDeal, todos voltados a diferentes nichos, mas com o mesmo objetivo: conectar pessoas que compartilham ideologias racistas. Juntas, as plataformas somariam mais de 100 GB de dados, que teriam sido copiados antes da derrubada dos servidores.

De acordo com o relato da ativista, o plano inicial envolvia a criação de chatbots que se passavam por mulheres brancas europeias para interagir com usuários e coletar informações. No entanto, ela afirmou ter encontrado falhas que permitiram o acesso direto aos bancos de dados, tornando o processo mais rápido do que o previsto.

Durante a ação, Martha Root afirmou ter identificado a administradora das plataformas, uma mulher alemã, a quem atribui a criação de uma rede organizada de supremacistas brancos disfarçada de aplicativos de relacionamento. Segundo a hacker, os usuários eram alertados sobre a possibilidade de infiltração de autoridades e pessoas contrárias à ideologia do grupo.

A administradora dos sites confirmou o ataque nas redes sociais e classificou a ação como “ciberterrorismo”, afirmando que os servidores foram deletados publicamente enquanto a ação era transmitida para uma audiência online.

Após o ataque, cerca de oito mil perfis foram publicados em um site criado para expor os dados vazados. As informações incluem localização declarada, dados extraídos de metadados de imagens e descrições pessoais detalhadas. A hacker informou que os donos dos perfis podem solicitar a exclusão dos dados divulgados.

Entre os registros expostos, ao menos dez perfis são apontados como sendo de brasileiros, com usuários identificados em cidades como São Paulo, Santos, Jaú e Curitiba. Os perfis trazem informações como renda anual, características físicas, posicionamentos ideológicos e exigências detalhadas sobre o tipo de parceira ou parceiro desejado, reforçando o caráter extremista das plataformas invadidas.

O caso reacendeu o debate sobre a atuação de grupos supremacistas na internet, o uso de aplicativos como ferramenta de articulação ideológica e os limites do hacktivismo no combate a redes extremistas no ambiente digital.

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