Um caso que chocou investigadores veio à tona nesta segunda-feira (1º), quando a Polícia Civil revelou que um grupo criminoso desvia R$ 38 milhões de um empresário com câncer terminal no Rio de Janeiro. A fraude é alvo da Operação Último Suspiro, que tenta desmontar uma organização suspeita de manipular documentos e assumir o controle do patrimônio da vítima pouco antes de sua morte.
Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Defraudações (DDEF), os suspeitos teriam utilizado uma série de manobras para obter acesso aos bens do empresário durante os últimos dias de vida dele. Entre os documentos analisados pelos agentes está um testamento assinado apenas duas horas antes da morte da vítima.
De acordo com a polícia, o documento apontava uma das investigadas como principal beneficiária e responsável pelo inventário de todo o patrimônio deixado pelo empresário.
Os investigadores também identificaram movimentações envolvendo um crédito judicial avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões. A cessão desse valor para escritórios de advocacia teria ocorrido poucos dias antes do falecimento da vítima, que lutava contra um câncer em estágio terminal.
As apurações indicam ainda que, pouco depois da morte do empresário, cerca de R$ 1,1 milhão foi depositado diretamente na conta de uma das investigadas. O valor seria parte dos precatórios pertencentes às empresas controladas pela vítima.
A Polícia Civil afirma que o esquema utilizava uma estrutura complexa para dificultar o rastreamento do dinheiro. Entre as irregularidades encontradas estão alterações no quadro societário de empresas detentoras de créditos judiciais, uso de assinaturas supostamente falsas e emissão de documentos concedendo amplos poderes de representação aos integrantes da organização.
As investigações apontam ainda que novas empresas foram abertas para movimentar os recursos e ocultar a origem dos valores desviados.
Durante a Operação Último Suspiro, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços da capital fluminense. As ações ocorreram em bairros das regiões Central, Norte, Sul e Oeste da cidade.
O material recolhido será analisado para aprofundar as investigações e identificar o fluxo financeiro utilizado pelo grupo.
Os suspeitos poderão responder por crimes como estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. A expectativa da Polícia Civil é que a análise dos documentos e equipamentos apreendidos ajude a esclarecer toda a dinâmica da fraude e a responsabilizar os envolvidos.
O caso chama atenção pelo alto valor movimentado e pela forma como a quadrilha teria se aproveitado de um momento de extrema vulnerabilidade da vítima para obter acesso ao patrimônio milionário.














