Greve dos Rodoviários no Rio: Nova Audiência Segunda-feira (6) Define Futuro da Paralisação e Impacto no Transporte

Greve dos Rodoviários no Rio: Nova Audiência Segunda-feira (6) Define Futuro da Paralisação e Impacto no Transporte

A greve dos rodoviários no Rio de Janeiro segue sem data para o fim, com a categoria decidindo em assembleia nesta terça-feira (30) manter a paralisação. A reunião foi marcada por confusão e divergências entre os trabalhadores, que após o encontro realizaram uma passeata no Centro da cidade, bloqueando vias e reforçando a mobilização pela continuidade da greve.

A assembleia rejeitou a proposta de estado de greve, que visava a suspensão da paralisação e o retorno ao trabalho sem desconto dos dias parados. Em audiência anterior no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o Rio Ônibus ofereceu um reajuste salarial de 4,39% e afirmou não apresentar nova proposta, enquanto o Sindicato dos Rodoviários defende um aumento de 17%, dividido em duas parcelas. Sem consenso, as negociações foram suspensas.

Relatos iniciais indicam que um grupo de manifestantes depredou ao menos cinco ônibus no Centro do Rio após a decisão de manter a greve. Passageiros foram obrigados a desembarcar dos coletivos antes dos veículos serem vandalizados. O presidente do Sindicato dos Rodoviários afirmou que os atos não representam uma ação organizada pela entidade, mas sim de um grupo de trabalhadores.

O prefeito Eduardo Cavaliere, em entrevista, destacou que a Prefeitura não participa das negociações sindicais, mas atua juridicamente para garantir o serviço essencial. Cavaliere lamentou o descumprimento de ordens judiciais e defende que ao menos 80% da frota esteja em circulação para mitigar os impactos à população carioca.

Nova Audiência e Expectativas para o Fim da Greve

Por recomendação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), uma nova rodada de negociação entre rodoviários e empresários foi agendada para a próxima segunda-feira, dia 6. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, expressou a expectativa de que o encontro resulte em uma proposta capaz de encerrar a greve, que foi considerada legal pela Justiça.

Sebastião José declarou: “Esperamos sinceramente que, na próxima audiência, o TRT contribua para uma solução definitiva, para que os usuários não continuem sendo prejudicados. O reconhecimento da legalidade da greve é uma grande vitória para a categoria, pois demonstra que a Justiça compreendeu as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores ao longo dos anos, como salários defasados, falta de estrutura nos terminais, ausência de banheiros e bebedouros, além do aumento da violência”.

Reivindicações da Categoria e Impacto nos Passageiros

O sindicato também encaminhou ofícios ao Rio Ônibus, à Prefeitura e aos consórcios solicitando a escala de operação para o cumprimento da tutela de urgência. Contudo, até o momento, não houve resposta dos empresários. Enquanto isso, passageiros continuam enfrentando longas filas e espera prolongada por ônibus em terminais como o Terminal Gentileza. Algumas linhas operam com frota reduzida e veículos lotados desde o início da manhã.

As principais reivindicações dos rodoviários incluem salários base de R$ 5 mil para motoristas de articulados e R$ 4 mil para os demais, um tíquete-alimentação de R$ 1 mil, jornada 5×2 e a manutenção do passe livre. Eles também demandam o fim de contratos temporários, contratação CLT para profissionais do BRT, plano de saúde e odontológico, indenização pelo intervalo de almoço e alteração da data-base para 1º de março.

Posição do Rio Ônibus e Episódios de Violência

Em nota, o Rio Ônibus informou ter participado de uma audiência de conciliação no TRT, onde foi aprovada uma proposta para suspensão imediata da greve. Segundo o sindicato patronal, a expectativa era a retomada da operação para reduzir os impactos à população. A entidade afirmou, porém, que o Sindicato dos Rodoviários não cumpriu o acordo e manteve a paralisação.

O Rio Ônibus relatou que mais de 15 coletivos foram vandalizados no Centro do Rio e que rodoviários que trabalhavam teriam sido agredidos. O sindicato repudiou os episódios de violência, confiando na mediação da Justiça do Trabalho e pedindo o retorno imediato dos profissionais às garagens para restabelecer a circulação dos ônibus.

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