A greve da Uerj completa 30 dias e estudantes temem perder o semestre diante do impasse que ainda não teve solução. A paralisação começou no dia 25 de março com a adesão dos professores e foi ampliada no dia 9 de abril, quando os funcionários técnico-administrativos também decidiram interromper as atividades.
O movimento envolve reivindicações ligadas principalmente à recomposição salarial. De acordo com a Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), a categoria pede a reposição das perdas inflacionárias, estimadas em 26,35%, além da retomada dos triênios para todos os servidores e o aumento do orçamento da universidade.
Também fazem parte das demandas o fortalecimento das políticas de permanência e assistência estudantil, consideradas essenciais para garantir a continuidade dos estudos de alunos em situação de vulnerabilidade.
A reitoria da universidade se reuniu com representantes das categorias em greve e com o governador em exercício, Ricardo Couto, no dia 16 de abril. Segundo a instituição, o governo estadual demonstrou abertura ao diálogo, mas aguarda o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4917, marcado para o dia 6 de maio no Supremo Tribunal Federal.
A decisão do STF pode impactar diretamente as finanças do estado, já que a ação trata da redistribuição dos royalties do petróleo, o que influencia o orçamento disponível para áreas como a educação.
Atualmente, apenas os alunos do curso de Direito seguem com aulas regulares. Mesmo assim, o ambiente dentro da universidade tem gerado preocupação entre os estudantes, especialmente no período noturno.
“A gente segue tendo aula normalmente, apesar da decretação da greve da Uerj. Só que, apesar da rotina aparentemente normal, para a gente — e, para mim, tem sido muito ruim. Eu sou do curso noturno e, ao chegar à faculdade, temos que lidar com o prédio completamente vazio. Já tivemos relatos de assaltos dentro da própria universidade durante o período de greve”, relatou a estudante Ester Carvalho.
O clima de incerteza também afeta alunos de outros cursos, que ainda não sabem como ficará o calendário acadêmico.
“Nós estamos aflitos quanto ao período. Vai ser cancelado? Não vai? O que vai acontecer? Precisamos de respostas e estamos pedindo socorro para que algo possa ser feito a nosso favor e em defesa da universidade”, afirmou uma aluna do curso de Odontologia.
Uma assembleia geral extraordinária dos servidores técnico-administrativos está prevista para acontecer nesta terça-feira (28), no auditório da própria universidade. O encontro deve discutir os próximos passos do movimento.
Já uma nova reunião entre a reitoria e a comissão formada por representantes dos grevistas foi marcada para o dia 4 de maio. Entre os pontos em discussão está o reajuste do auxílio-refeição, atualmente fixado em R$ 1,5 mil.
Enquanto isso, a greve segue sem previsão de término, ampliando a preocupação de alunos e servidores sobre os impactos acadêmicos e institucionais ao longo do ano.














