Golpe do ouro na Serrinha expõe emboscadas contra joalheiros no Rio

Golpe do ouro na Serrinha

Golpe do ouro na Serrinha tem colocado profissionais do setor de joias em alerta no Rio de Janeiro. A Polícia Civil investiga uma série de emboscadas em que vítimas são atraídas por falsas propostas de venda e acabam sequestradas por criminosos na Zona Norte da cidade.

Segundo as investigações, funcionários de empresas que compram ouro para revenda são o principal alvo do esquema. Os criminosos se passam por vendedores interessados em negociar peças, mas utilizam o encontro como armadilha para cometer os crimes.

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, relatou ter sido enganada após receber contato de uma suposta cliente. O encontro foi marcado em uma rua próxima à comunidade da Serrinha, em Madureira.

“Chegando lá, fui abordado por quatro motos imediatamente. Já chegaram falando: ‘tira o capacete, tira o capacete, é ele mesmo. É o cara do ouro’. E me levaram lá pra cima. Terror, terror”, contou.

De acordo com o depoimento, o funcionário foi mantido em cativeiro por cerca de três horas, sob ameaça constante de armas de fogo.

“Anoiteceu e eu ainda estava lá. Pensei: estão cavando a minha cova e aqui eu vou ficar. Fuzil, pistola na cara. ‘Vai morrer’ o tempo todo”, relatou.

Durante o período em que ficou sob domínio dos criminosos, a vítima foi obrigada a realizar transferências bancárias, acumulando um prejuízo de R$ 37.900.

Após ser liberado, ele descobriu que outros profissionais também haviam sido alvo do mesmo tipo de crime. “Eu fui o sétimo ou o oitavo que já caiu no mesmo golpe”, afirmou.

A Polícia Civil confirmou que investiga um grupo ligado ao tráfico de drogas na região, suspeito de organizar o esquema. Alguns dos envolvidos já foram identificados, e as apurações contam com o apoio de diferentes unidades especializadas.

Como parte das investigações, a 29ª DP (Madureira) trabalha em conjunto com a Delegacia Antissequestro para reunir informações sobre os casos, que apresentam características semelhantes.

Além das denúncias de sequestro e extorsão, a polícia também apura a possível relação do grupo com a morte de um motorista de aplicativo ocorrida no dia 22 de março.

A vítima foi Matheus Eduardo de Oliveira, de 24 anos, que teria sido atacado após tentar fugir de homens armados em uma via de acesso à comunidade. O caso está sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital.

Mesmo após o fim do sequestro, o impacto psicológico nas vítimas permanece. “Muda completamente a forma de viver, de trabalhar. A minha sombra eu já desconfio dela. O terror psicológico que fica…”, desabafou.

O avanço desse tipo de crime acende um alerta para profissionais que atuam com compra e venda de joias, além de reforçar a preocupação das autoridades com novas estratégias adotadas por criminosos na cidade — um cenário que segue em evolução e exige atenção redobrada.

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