Duas mulheres foram presas em flagrante suspeitas de extorsão e estelionato em uma falsa consultoria financeira em Vilar dos Teles, São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Elas exigiam R$ 1 mil da vítima após contratarem um empréstimo sem autorização.
Flagrante em financeira de Vilar dos Teles interrompe extorsão
A prisão aconteceu na quinta-feira após a vítima procurar diretamente os policiais civis da 64ª DP (São João de Meriti). Ela relatou que buscou o escritório comercial apenas para renegociar uma dívida antiga de crédito consignado, mas acabou caindo em uma armadilha dentro do estabelecimento.
De acordo com o relato feito aos investigadores, uma das atendentes pegou o aparelho celular da cliente sob pretexto de checar dados cadastrais. Sem qualquer consentimento, a mulher acessou os aplicativos de banco instalados no telefone e contratou um novo empréstimo no nome da vítima.
Logo após a contratação indevida do dinheiro, a dupla começou a cobrar R$ 1 mil da vítima. As suspeitas alegavam que a quantia era referente a uma comissão obrigatória pelo serviço prestado no local.
Como a cliente se recusou a pagar a taxa abusiva, as investigadas passaram a enviar mensagens de texto e áudios com intimidações diretas. As mensagens diziam que uma pessoa iria até a casa da vítima para cobrar a quantia exigida à força.
Diante do desespero e das ameaças, a vítima procurou socorro na delegacia do município. Os agentes analisaram as conversas no aplicativo, constataram o crime em andamento e foram imediatamente até o endereço comercial onde o golpe estava sendo aplicado.
Ao entrarem no estabelecimento, os policiais encontraram a vítima ainda no local sendo pressionada pelas atendentes. Quando questionada pelos policiais, a funcionária confirmou que estava cobrando o valor de R$ 1 mil pelo suposto atendimento prestado.
As duas receberam voz de prisão na hora e foram conduzidas para a carceragem. No imóvel comercial, os agentes apreenderam computadores portáteis, aparelhos celulares e diversos cadernos com anotações de clientes, que serão analisados para descobrir se há outras pessoas lesadas pelo mesmo esquema na região.
O que já se sabe sobre o caso
A apuração da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro apontou que as mulheres usavam a estrutura de um escritório de fachada para atrair aposentados, pensionistas e trabalhadores endividados. Elas se aproveitavam da pouca familiaridade das pessoas com tecnologia para movimentar contas sem que os donos percebessem.
Os materiais apreendidos pela 64ª DP passarão por perícia técnica nos próximos dias. A polícia quer saber a origem das listas de contatos encontradas nos cadernos e se existem outros integrantes participando das ameaças e cobranças externas.
Quem responde por isso
O caso está sob responsabilidade do delegado titular da 64ª DP (São João de Meriti), localizada na Avenida Comendador Teles, s/n, em Vilar dos Teles. A delegacia atende moradores de todo o município da Baixada Fluminense.
As duas presas foram autuadas em flagrante pelos crimes de extorsão e estelionato. Ambas foram encaminhadas para o sistema prisional do estado, onde permanecerão à disposição da Justiça para a audiência de custódia.
Como denunciar golpes em financeiras
Quem desconfiar de escritórios de crédito, taxas cobradas adiantadas ou ameaças de cobrança pode acionar as autoridades de forma totalmente anônima. O Disque Denúncia do Rio de Janeiro funciona 24 horas por dia pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento também por mensagem de WhatsApp.
Denúncias sobre atuação de falsas financeiras na Baixada Fluminense também podem ser feitas diretamente na delegacia mais próxima de sua residência ou pelo telefone central da Polícia Civil, no número 197. Não é preciso se identificar para repassar informações de locais suspeitos.
O que fazer se você foi vítima desse tipo de golpe
Se você entregou seu celular em alguma financeira e percebeu movimentações estranhas, o primeiro passo é entrar em contato imediato com o seu banco pelos canais oficiais de atendimento. Peça o bloqueio preventivo das senhas dos aplicativos e conteste todas as operações não autorizadas.
Em seguida, reúna todas as provas possíveis: comprovantes de transferência, mensagens trocadas por aplicativo, fotos do local e áudios com eventuais cobranças. Leve esses documentos impressos ou salvos até a delegacia de polícia do seu bairro.
O registro de ocorrência também pode ser iniciado pela internet, por meio do portal da Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (dedic.pcerj.rj.gov.br). Guarde o número do boletim para apresentar às instituições financeiras e aos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon da sua cidade.















