Uma turista estrangeira foi resgatada após tentar escalar uma parte rochosa fora da rota padrão na Pedra da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A visitante acabou presa em um paredão íngreme e não se feriu.
O susto aconteceu em uma área lateral da conhecida Carrasqueira, trecho de quase 30 metros de subida em rocha viva que exige força e técnica de quem sobe o morro de 844 metros de altitude.
Susto e socorro improvisado na subida da Pedra da Gávea
A visitante realizava a subida ao lado do namorado e de um amigo. Durante a travessia, ela decidiu pegar um percurso alternativo para tentar superar a rocha, mas não conseguiu prosseguir e nem voltar, ficando travada na encosta íngreme.
O resgate foi conduzido pelo profissional conhecido na região como Tonny da Gávea, que passava pelo ponto durante uma atividade física pessoal. Ao ver a mulher em risco de queda, o guia interveio e a conduziu de volta ao trajeto principal até um ponto seguro da trilha.
A Pedra da Gávea é considerada a trilha costeira mais pesada do país. O trajeto exige entre duas horas e meia e quatro horas apenas para subir, com trechos de mata fechada, terreno escorregadio e despenhadeiros pronunciados.
O que torna a Carrasqueira tão arriscada?
A Carrasqueira é o ponto mais crítico de toda a caminhada no maciço. Trata-se de uma parede de pedra inclinada onde os caminhantes precisam encontrar fendas e apoios naturais para os pés e mãos. Uma queda no trecho pode provocar lesões graves ou morte.
Muitos frequentadores tentam buscar caminhos laterais para fugir da rocha lisa ou evitar a espera nos dias movimentados. No entanto, sair do percurso marcado aumenta brutalmente o perigo de deslizamento de terra, queda de pedras soltas e perda de equilíbrio.
Profissionais de montanhismo alertam que o local não conta com equipes fixas de guarda-vidas ou fiscais contínuos para apoio. Quem fica preso na rocha depende da passagem fortuita de pessoas experientes ou do chamado formal de emergência.
Como planejar o passeio sem correr perigo?
Quem deseja visitar o topo da montanha precisa entender as exigências da caminhada e fazer um planejamento rigoroso antes de calçar o tênis. Algumas medidas básicas evitam transtornos graves na montanha:
- Contrate guia credenciado: profissionais levam cordas, cadeirinhas e equipamentos de segurança para proteger a passagem na Carrasqueira, principalmente na hora de descer.
- Comece bem cedo: a trilha deve ser iniciada antes das 8h para evitar o sol forte nas áreas expostas e garantir o retorno com luz natural.
- Calçado e água adequados: utilize calçados fechados com sola aderente e leve ao menos dois litros de água por pessoa, além de lanches leves e protetor solar.
- Fique no caminho demarcado: jamais pegue atalhos desconhecidos ou saia da rota principal indicada pelas placas do parque.
- Desista se o tempo virar: se começar a chover ou surgir neblina espessa, interrompa o passeio e desça antes que a pedra fique escorregadia.
O que fazer em caso de acidente ou perda na trilha?
Se acontecer um imprevisto na mata ou na encosta, a primeira medida é manter a calma e interromper a caminhada imediatamente para evitar quedas em precipícios. O acionamento oficial de socorro deve ser feito rapidamente.
O resgate em áreas florestais e de montanha no Estado do Rio é realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro. Ligue para o telefone 193 e informe o nome da trilha, ponto aproximado onde o grupo se encontra e se há pessoas feridas.
A sede do setor florestal do Parque Nacional da Tijuca gerencia o território. Para informações sobre condições de acesso, o leitor pode procurar o Centro de Visitantes pelo telefone (21) 3147-6666 ou comparecer à guarita do parque no início da trilha, na Estrada Sorimã, na Barra da Tijuca, aberta diariamente a partir das 8h.















