O furto de cabos no Rio disparou em 2025 e já provoca impactos diretos no fornecimento de energia, no transporte público e na vida de milhares de moradores. Só a Light perdeu 58 mil metros de fios nos primeiros meses deste ano, o equivalente a 76% de todo o volume furtado em 2024.
Para se ter uma ideia, esse total de cabos seria suficiente para dar 32 voltas na pista de 1.800 metros que contorna o Complexo Esportivo do Maracanã. As regiões mais afetadas são Ipanema, Copacabana, Barra da Tijuca e o Centro, justamente áreas de maior demanda e concentração de redes subterrâneas.
O problema também se espalha para outras cidades. A Enel, responsável pelo fornecimento de energia em Niterói, São Gonçalo e mais 64 municípios, registrou o furto de 5,8 mil metros de cabos entre janeiro e abril. O número representa um crescimento de 142% em comparação ao mesmo período do ano passado e é quase suficiente para dar uma volta completa na Lagoa Rodrigo de Freitas, que possui 7,5 km de perímetro.
Entre as cidades mais afetadas estão Campos dos Goytacazes, Macaé, Niterói e São Gonçalo, onde mais de 1.500 consumidores já foram prejudicados apenas nos quatro primeiros meses de 2025.
Segundo a Abradee (Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica), o furto de cabos no estado tem crescido de forma contínua desde 2023, quando foram levados mais de 14 mil metros de fios.
Transporte também é alvo constante
No transporte ferroviário, embora os números tenham caído, a situação ainda preocupa. A SuperVia registrou o furto de 1.414 metros de cabos entre janeiro e março — uma queda de quase 59% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram furtados 3.435 metros.
O resultado veio após a adoção de uma tecnologia curiosa: um verniz cerâmico que funciona como “DNA” dos fios. Mesmo que os cabos sejam queimados ou raspados, é possível rastrear sua origem.
No MetrôRio, foram 19 casos de furto de cabos entre janeiro e junho, número inferior aos 55 registrados em todo o ano passado, mas que ainda gera transtornos para os passageiros.
Mercado clandestino milionário
O preço do cobre, que varia entre R$ 37 e R$ 49 o quilo nos ferros-velhos clandestinos, transformou o material em alvo preferencial de quadrilhas altamente organizadas.
Na última quarta-feira (11), a Polícia Civil apreendeu mais de 100 kg de fios furtados em um ferro-velho em Paracambi, na Baixada Fluminense. O crime chegou a causar paralisação de ramais ferroviários na região.
Desde setembro de 2024, as forças policiais já prenderam 90 pessoas ligadas a esse tipo de crime. Foram realizadas operações em 260 ferros-velhos, resultando na apreensão de mais de 250 toneladas de fios de cobre e outros metais.
O delegado responsável pelas investigações destacou: “O furto de cabos virou uma das atividades criminosas mais lucrativas do Rio. Descobrimos esquemas que movimentaram cerca de R$ 200 milhões em apenas dois anos”.
População sofre as consequências
Além dos prejuízos financeiros para empresas e para o estado, a população sente diretamente os efeitos desse crime. Apagões, falhas no fornecimento de energia, paralisações no metrô e nos trens e até riscos de acidentes com redes rompidas fazem parte da nova rotina em vários pontos da cidade e da Região Metropolitana.
Para tentar conter os furtos, a Light vem substituindo os cabos de cobre por alumínio — material de menor valor comercial — e reforçando a proteção das redes subterrâneas com tubos de aço galvanizado e concretagem.
Apesar dos avanços na segurança, os criminosos seguem um passo à frente, mostrando que o combate ao furto de cabos no Rio ainda é um grande desafio para as concessionárias, autoridades e para a sociedade.














