Fraude no INSS: servidores são investigados por propina e desvios milionários

O INSS

A investigação da Polícia Federal expôs uma grave fraude no INSS envolvendo servidores públicos e associações de aposentados e pensionistas. O esquema, revelado na Operação Sem Desconto, movimentou cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos indevidos nos benefícios de segurados.

Segundo o relatório da PF, ex-diretores e outros integrantes do INSS receberam mais de R$ 17 milhões em propinas. Entre os benefícios concedidos estão carros de luxo, como o que teria sido transferido para a esposa do procurador Virgílio Oliveira Filho, já afastado do cargo.

O ex-diretor André Paulo Félix Fidelis teria movimentado R$ 5,1 milhões, enquanto Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança, é acusado de receber R$ 313 mil. Pessoa e empresas ligadas a Virgílio somaram quase R$ 12 milhões em recebimentos de entidades envolvidas.

A PF destaca a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, como operador financeiro do esquema. Ele teria movimentado R$ 53,5 milhões em repasses, disfarçando a origem dos valores.

A defesa de André Fidelis declarou não ter acesso aos autos e preferiu não comentar. Alexandre Guimarães negou irregularidades, afirmando que os pagamentos recebidos referem-se a serviços de consultoria.

Além das fraudes financeiras, o relatório aponta que, entre 2019 e 2023, houve um aumento de 2.011% no volume de contribuições de oito associações suspeitas, revelando indícios de irregularidade.

A fraude no INSS também envolve a atuação do ex-presidente do instituto, Alexandre Stefanutto, afastado após suspeitas de liberar descontos em massa para entidades como a Contag, desrespeitando normas internas.

Outro foco da investigação é o destino dos recursos: parte do dinheiro foi desviado para empresas de turismo, eventos e alimentação, em vez de ser utilizado em atividades sindicais.

Apesar do escândalo, integrantes do governo afirmam que não há implicações diretas contra o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e que as investigações devem seguir sem decisões precipitadas.

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) seguem aprofundando as apurações sobre a maior operação de fraude no INSS já identificada no país.

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