Frank Gehry morre aos 96 anos: mestre do Guggenheim de Bilbao e ícone do design moderno

Frank Gehry

Frank Gehry morre aos 96 anos, encerrando a trajetória de um dos nomes mais influentes e reverenciados da arquitetura mundial. O arquiteto faleceu em casa, em Santa Monica, após uma breve doença respiratória, conforme informado por sua equipe. Ele transformou a forma como o mundo imaginava prédios, desafiando linhas tradicionais, brincando com volumetrias e criando verdadeiras esculturas habitáveis.

Nascido em Toronto, em 1929, Gehry começou sua formação em arquitetura na Universidade do Sul da Califórnia e, mais tarde, dedicou-se ao planejamento urbano em Harvard. Foi apenas na juventude, segundo ele próprio, que a possibilidade de seguir carreira surgiu, após o reconhecimento de um professor pelo seu talento. O interesse pela arte moderna e pelo experimentalismo visual moldou sua visão estética, sustentando a base para obras que se tornariam ícones planetários.

Reconhecido pela ousadia, Gehry desenvolveu formas sinuosas, fachadas metálicas e estruturas que pareciam flutuar. Ao longo de sua carreira, recebeu os principais prêmios da área, incluindo o Pritzker, medalhas internacionais, honrarias acadêmicas e homenagens governamentais. Ele também lecionou em instituições como Yale, Columbia e a própria USC, deixando marcas profundas em novas gerações de profissionais.

Obras que redefiniram skylines

O impacto de Gehry no urbanismo e na arquitetura pode ser visto em cartões-postais espalhados pelo mundo. O Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, é considerado um divisor de águas, revitalizando toda a cidade e tornando-se referência global de arquitetura contemporânea. O Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, é outra de suas assinaturas imponentes, com curvas metálicas que captam luz e movimento.

Outros projetos incluem o DZ Bank Building, em Berlim, e a expansão da sede do Facebook na Califórnia, feita a pedido de Mark Zuckerberg. Em Nova York, o New York By Gehry, com 76 andares, foi um marco residencial que redesenhou a paisagem de Manhattan, enquanto o IAC Building ganhou notoriedade com sua fachada translúcida em painéis de vidro.

Mesmo já consagrado, Gehry continuou produzindo e participando de debates criativos até a fase madura da vida. Sua habilidade de reinventar formas, aliada ao pensamento livre, alimentou sua imagem de gênio inovador e personalidade única.

Gehry além do concreto: críticas e irreverência

O arquiteto também colecionou polêmicas. Sua estética ousada dividia opiniões entre especialistas. Alguns críticos classificavam seus projetos como visualmente excessivos ou demasiadamente turísticos. Outros acusaram construções como o Disney Hall de parecerem simples composições improvisadas. Ainda assim, Gehry raramente se abalava — abraçava o humor, o debate e até brincou consigo mesmo ao aparecer em um episódio de “Os Simpsons” recriando sua própria forma de projetar.

Houve também disputas públicas, como a resistência da família Eisenhower à proposta de memorial criada por ele. Gehry não recuou, defendendo sua visão artística até o fim.

Família, raízes e vida pessoal

Filho de imigrantes judeus, o arquiteto nasceu Ephraim Owen Goldberg e só mais tarde adotou o nome Frank Gehry, após sugestão de sua esposa, acreditando que o antissemitismo prejudicaria sua carreira. Já adulto, consolidou uma trajetória marcada por liberdade criativa, respeito ao próprio estilo e o compromisso com formas que provocavam emoções.

Gehry deixa a esposa Berta, três filhos — Brina, Alejandro e Samuel —, além de obras grandiosas. Outra filha, Leslie, faleceu em 2008. Mesmo após parar de projetar edifícios comuns, não abandonou a disciplina, a inquietude e a vocação artística. Continuou ativo, presente em debates, universidades e homenagens.

Seu legado permanece no mundo e no imaginário

Críticos, admiradores, alunos e expoentes da arquitetura reconhecem: Frank Gehry mudou a forma como edifícios são pensados. Ao ultrapassar a barreira entre arte e engenharia, criou uma estética que se tornou linguagem própria. Seu repertório se tornou referência global em museus, universidades e discussões sobre identidade visual urbana.

Frank Gehry morre aos 96 anos, mas sua assinatura permanece nas curvas metálicas que moldam cidades, nos horizontes redesenhados e na inspiração gerada em profissionais que enxergam a arquitetura como poesia concretizada. Seu legado habita não apenas estruturas, mas a ideia de que o espaço pode emocionar, provocar e transformar realidades.

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