Ele é pequeno, tem mais de 100 milhões, foi descoberto na região de Kachin, em Myanmar, na Ásia, mas deixou os pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU) eufóricos.
O fóssil de um percevejo da família Heteroptera, preservado em âmbar, foi descoberto com uma característica bastante incomum para o tipo de animal: suas patas dianteiras terminam em grandes estruturas semelhantes a garras, que lembram as pinças de caranguejos. Esses apêndices, conhecidos como quelas, funcionam como fórceps e são extremamente raros entre os insetos.
– Anteriormente, essas quelas eram conhecidas em apenas três grupos de insetos. Este fóssil representa, portanto, o quarto caso conhecido dessas estruturas evoluindo independentemente em insetos – revela a zoóloga Privatdozent Carolin Haug, zoóloga da Faculdade de Biologia da LMU.
Foi realizada uma grande comparação morfológica envolvendo mais de 2.000 quelas e apêndices preênseis semelhantes aos de espécies vivas e extintas. A análise mostrou que as garras desse inseto fóssil eram surpreendentemente diferentes das encontradas em outros insetos. Curiosamente as estruturas se assemelhavam mais às observadas em artrópodes mais distantes, como decápodes (caranguejos, lagostas, camarões, etc.) e tanaídeos.
Auxiliaram a equipe alemã pesquisadores da Universidade de Rostock e da Universidade de Oulu, na Finlândia, que utilizaram microtomografia computadorizada. A equipe criou imagens 3D altamente detalhadas que permitiram examinar a anatomia do inseto. E, devido à sua anatomia bastante incomum, o inseto foi classificado em um gênero novo, denominado Carcinonepa, junção do termo grego latinizado para “caranguejo” (carcin-) com nepa , fazendo referência ao grupo de percevejos aquáticos Nepomorpha. Assim, o novo inseto recebeu o nome de Carcinonepa libererrantes, com uma curiosidade referente ao segundo nome.
“O nome da espécie, libererrantes, é uma latinização do nome do grupo de K-pop de grande sucesso Stray Kids”. Isso porque a postura das quelas do fóssil se assemelha muito à pose característica do grupo – contou a professora Carolin Haug.
Fonte: Revista Insects














