Flávio Bolsonaro domina ato de Derrite com discurso sobre filme e eleições

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro 2026 ganhou força como discurso central durante o lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite ao Senado, em Campinas, no interior de São Paulo. O evento, realizado na sexta-feira (15), reuniu nomes importantes da direita e acabou se transformando em um palanque para o senador.

Ao lado do governador paulista Tarcísio de Freitas, Derrite oficializou sua entrada na disputa pelo Senado. No entanto, foi Flávio Bolsonaro quem concentrou os principais momentos políticos da cerimônia, em meio ao debate sobre sua pré-candidatura ao Planalto.

O encontro ocorreu em um momento de pressão sobre o senador, após a divulgação de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e pedidos de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. O caso foi revelado pelo site The Intercept Brasil e passou a ser usado por adversários como combustível político.

Durante o discurso, Flávio afirmou que já esperava enfrentar dificuldades ao assumir maior protagonismo no campo bolsonarista. O senador disse que aceitou a missão política após ser chamado pelo pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

“O lado de lá não tem limites e no momento que meu pai me convocou para, no lugar dele, enfrentar essa missão, eu sabia das dificuldades que a gente teria”, declarou Flávio Bolsonaro, durante o evento em Campinas.

Na sequência, o senador associou sua candidatura a um projeto religioso e político. Ao citar uma frase dita anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio afirmou que sua caminhada teria respaldo divino.

“Se ele está com o diabo, eu estou com Deus, porque esse é um projeto de Deus e a graça dele que vai levar a gente até a vitória”, afirmou Flávio Bolsonaro, durante o ato.

O evento também teve elementos típicos de campanha, como a venda de bonés com a inscrição “Flávio Bolsonaro 2026” e a execução de jingles políticos ao longo da cerimônia. A movimentação reforçou o tom eleitoral do encontro, mesmo tendo como pauta oficial o lançamento de Derrite ao Senado.

Flávio também aproveitou o discurso para defender a produção do filme “Dark Horse”. Segundo ele, a obra sobre Jair Bolsonaro será feita com recursos privados e representa uma homenagem ao ex-presidente.

“O Bolsonaro merece ou não merece um filme? Ele merece e a gente vai fazer. E a gente busca recursos privados”, disse Flávio Bolsonaro, ao defender o projeto.

O senador ainda criticou o The Intercept Brasil, responsável pela divulgação das mensagens, e acusou o portal de tentar interferir no cenário político nacional. As falas foram recebidas por apoiadores em clima de campanha.

Um dos momentos de maior comoção ocorreu quando Flávio se dirigiu diretamente ao pai. Em tom emocionado, prometeu que Jair Bolsonaro voltará ao centro da política nacional caso a direita vença a eleição de 2026.

“Pai, a gente vai te libertar e você vai subir aquela rampa com a gente em janeiro de 2027”, declarou Flávio Bolsonaro, diante dos apoiadores.

Tarcísio de Freitas também reforçou o tom eleitoral do encontro. O governador de São Paulo fez críticas ao PT, disse que o país precisa de novas lideranças e defendeu que o partido receba um “cartão vermelho” nas urnas.

Durante a fala, Tarcísio declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro como nome da direita para a Presidência da República. O governador afirmou que o projeto político iniciado por Jair Bolsonaro estaria agora nas mãos do filho.

“Precisamos resgatar esse projeto, que está nas mãos do seu filho, Flávio Bolsonaro”, afirmou Tarcísio de Freitas, durante o evento.

Guilherme Derrite também entrou no mesmo tom e chamou Flávio de “próximo presidente do Brasil”. O deputado defendeu a formação de uma maioria conservadora no Senado para avançar pautas como anistia e enfrentamento ao que classificou como “abusos do Judiciário”.

Apesar da demonstração de unidade no palco, o lançamento da chapa também evidenciou disputas dentro da própria direita em São Paulo. A escolha de André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa paulista, como outro nome ao Senado desagradou setores mais ideológicos do bolsonarismo.

O deputado Ricardo Salles, que também tenta viabilizar uma candidatura ao Senado, criticou articulações internas e acusou Eduardo Bolsonaro e André do Prado de costurarem acordos políticos e financeiros em torno da disputa.

Mesmo com tensões nos bastidores, o ato em Campinas mostrou que a direita pretende nacionalizar a eleição de 2026, colocando Flávio Bolsonaro no centro da estratégia eleitoral e usando eventos estaduais como vitrines para a disputa presidencial.

O encontro deixou claro que, para o grupo bolsonarista, a campanha já começou antes mesmo do calendário oficial, com discurso religioso, ataques à esquerda, defesa de Jair Bolsonaro e acenos diretos à corrida pelo Planalto.

Limpatech