A concessão da SuperVia, responsável pelo transporte ferroviário na Região Metropolitana do Rio, chega ao fim após quase 27 anos. A empresa deixará o sistema até setembro, mencionado em decisão judicial firmada com o governo do estado. O serviço, no entanto, será devolvido em condições piores do que foi assumido em 1998: composições sucateadas, viagens mais longas e um volume de passageiros estagnado em 300 mil por dia — número idêntico ao registrado quase três décadas atrás.
Segundo a apuração de Marcos Nunes do jornal Extra, o tempo das viagens aumentou. O trajeto entre Central do Brasil e Santa Cruz, por exemplo, levava 75 minutos; hoje, são 98. No ramal Belford Roxo, o percurso saltou de 53 para 64 minutos. A situação é ainda mais crítica em Japeri, onde os trens agora demoram 103 minutos para alcançar a Central — 28 minutos a mais que em 1998.
Valmir de Lemos, do Sindicato dos Maquinistas, explica que a redução de velocidade ocorre por conta da má conservação da via permanente. “Os trilhos estão em mau estado. Os dormentes estão podres. Para evitar acidentes, os trens circulam entre 40 e 50 km/h”, afirma. O engenheiro ferroviário Hélio Suevo também destaca falhas na sinalização e furto de cabos.
Nos bastidores, o governo prepara a transição para uma nova gestão, mas ainda não definiu o modelo — se estatal, concessão emergencial ou nova licitação.
A SuperVia, por sua vez, afirma que substituiu mais de 45 mil dormentes e 402 toneladas de trilhos nos últimos 18 meses, mas a realidade diária desmente o discurso. Entre superlotação, trens quebrados e aglomerações nas estações, a rotina dos usuários é marcada pelo descaso.
O “cemitério ferroviário” de Japeri, onde 79 trens antigos se acumulam, é o símbolo do colapso: composições sem portas, vandalizadas e, segundo moradores, usadas à noite por usuários de drogas. Em Deodoro, outros 113 vagões aguardam decisão judicial para leilão.
O contrato previa, ainda nos primeiros cinco anos, que a SuperVia transportasse 2 milhões de pessoas por dia. A meta jamais foi alcançada. Agora, o desafio é reconstruir um sistema que ficou para trás no tempo — e nos trilhos.














