Conhecida por suas atuações em novelas e no cinema brasileiro, Fernanda Machado lança nesta terça-feira (6) sua primeira obra literária, intitulada Tudo que não me contaram sobre a maternidade. O evento de lançamento acontecerá na Livraria Janela, localizada na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. O livro é resultado de suas experiências como mãe de Lucca, de 9 anos, e Leo, de 4, frutos de seu casamento com o norte-americano Robert Riskin.
Segundo a atriz, a motivação para escrever veio do desejo de ajudar outras mulheres a compreenderem as transformações físicas e mentais provocadas pela maternidade. “Pretendo ajudar as mulheres a entenderem como a maternidade gera grandes mudanças hormonais e biológicas, e como essas mudanças têm um impacto gigantesco no nosso corpo, cérebro e saúde mental. Acredito que quando a gente entende o quanto gerar e criar outro ser humano exige do nosso corpo, a gente aprende a ser um pouco mais gentil com nós mesmas, a nos cuidar um pouco mais”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
Atualmente morando na Califórnia, Fernanda decidiu se aprofundar no tema e concluiu recentemente um curso de certificação em saúde hormonal feminina. A formação foi fundamental para garantir embasamento científico ao conteúdo do livro. “Me apaixonei pela biologia depois que me tornei mãe e comecei a estudar bastante todas as mudanças hormonais que nós mulheres vivemos com a chegada da maternidade. Muito porque enfrentei muitos altos e baixos na minha própria saúde mental… Com o passar do tempo, comecei a dar suporte para as minhas amigas e alunas de yoga, que são mães. E foi estudando que eu descobri que sofro de TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual)”, relatou.
No livro, Fernanda descreve a maternidade como a principal missão de sua vida. “É a minha maior missão, é o meu papel mais importante e é o trabalho mais difícil, mais significativo e mais incrível que eu já fiz na vida. A nossa missão como mães é muito relevante, nós estamos criando seres humanos, nós estamos construindo o futuro e a possibilidade de um mundo melhor”, disse. Ela também comentou sobre a sobrecarga enfrentada pelas mães nos dias atuais: “A gente tenta dar conta de tudo como mães. O que é uma tarefa praticamente humanamente impossível, porque a sobrecarga da mãe moderna é muito grande”.
Durante o parto de seu segundo filho, Fernanda passou por uma experiência delicada e transformadora: a perda do útero. A causa foi uma placenta acreta, que provocou uma hemorragia grave no momento da retirada. “Só um mês e meio depois do nascimento dele que me dei conta mesmo que eu não poderia mais ter um bebê crescendo dentro de mim. Foi nesse momento que senti uma certa tristeza e vivi um certo luto. Mas passou muito rápido, porque toda vez que eu olhava para os meus dois filhos, só conseguia agradecer”, lembrou.
Dois anos após o nascimento de Leo, a atriz recebeu outro diagnóstico surpreendente: estava vivendo a perimenopausa — fase que antecede a menopausa. A descoberta, segundo ela, ocorreu tardiamente por falta de informação. “Ninguém falava muito sobre isso nos últimos 10 anos. E a perimenopausa pode começar entre 10 e 12 anos antes da menopausa. Então, demorei anos para descobrir que eu estava vivendo ela com filhos pequenos”, explicou.
Apesar da rotina intensa com os filhos e os estudos, Fernanda ainda guarda carinho por sua carreira artística. Com passagem por produções como Alma Gêmea (2005), Paraíso Tropical (2007), Amor à Vida (2013), além de filmes como Tropa de Elite (2007), ela expressa saudades dos sets. “Tenho saudade, sim, com certeza, e pretendo voltar. Mas teria que ser um projeto muito bacana, porque como eu moro longe demais, a minha logística com a família é um pouquinho mais complexa. Eu teria que separar os meus filhos do meu marido, enfim. Então, assim, a logística é complicada, e se pintar, como eu fiz em Impuros alguns anos atrás, era um trabalho de dois, três meses, é um pouco mais fácil. Fica um pouquinho mais difícil quando é uma novela de doze meses”, comentou.
Mesmo vivendo longe dos palcos e estúdios brasileiros, Fernanda segue conectada ao país através de sua escrita, estudos e da criação de seus filhos. Seu novo livro promete oferecer uma visão sensível, honesta e informada sobre a jornada da maternidade, tratando de assuntos muitas vezes silenciados com coragem e empatia.
Reportagem de Lucas Adeniran, sob supervisão de Isabelle Rosa do Jonal o Dia














