Fazendeiro de coca tenta usar irmão para escapar da condenação por tráfico internacional de drogas no Brasil.
O fazendeiro colombiano Yul Neyder Morales Sanchez, que produzia e refinava cocaína em uma fazenda na Bolívia, tentou atribuir ao próprio irmão conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) para se livrar de uma condenação em solo brasileiro.
Morales Sanchez foi condenado definitivamente a sete anos de prisão por associação a tráfico internacional de drogas, mas está foragido desde 2015. A droga produzida em sua fazenda boliviana seria enviada a quadrilhas brasileiras e estrangeiras, com destino final à Europa através do Porto de Santos, em São Paulo.
A defesa do fazendeiro alegou que a voz nas conversas interceptadas pela PF pertencia a um irmão, e não a Yul. Contudo, essa tese não foi comprovada e foi rejeitada pela Justiça. A informação sobre a tentativa de incriminar o irmão consta no voto da ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou um habeas corpus ao fazendeiro.
Defesa Alega Falta de Provas Técnicas na Investigação
Os advogados de Yul Neyder Morales Sanchez sustentam que a Justiça brasileira não realizou perícia de voz, cruzamento de dados biométricos ou exames técnicos nos aparelhos investigados para comprovar que as mensagens interceptadas pertenciam de fato ao fazendeiro.
A defesa argumenta que o processo condenatório apresenta “graves problemas jurídicos e probatórios”, com ilegalidades ocorridas ao longo da investigação. Eles também afirmam que os elementos usados na condenação se referem a um episódio específico, sem demonstração de reiteração ou integração duradoura a uma organização criminosa.
Justiça Brasileira Rejeita Alegações e Mantém Condenação
O juízo, no entanto, rejeitou as alegações da defesa por falta de provas, aplicando o artigo 156 do Código de Processo Penal (CPP). Este artigo estabelece que a obrigação de provar uma alegação cabe a quem a fez. Sem apresentar evidências concretas sobre o suposto irmão, o fazendeiro permaneceu sob o radar da Justiça brasileira.
A ministra Carmen Lúcia, do STF, reforçou a decisão do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que também havia rejeitado o recurso da defesa. Em seu voto, a ministra declarou que as provas produzidas demonstram a participação de Yul no crime de associação para o tráfico transnacional de drogas.
Fazendeiro da Coca é Considerado Grande Fornecedor de Drogas
Yul Neyder é descrito pelo ministro Herman Benjamin como um “grande produtor e fornecedor de cocaína para narcotraficantes brasileiros e estrangeiros, movimentando expressiva quantidade da droga”. Acredita-se que ele administrava a fazenda de produção de cocaína junto com seu pai, Cristobal Morales Velasquez, conhecido como “Papi Supremo”.
A dupla entrou na mira da PF em 2014, após a interceptação de comunicações entre membros da Célula Porto, grupo responsável por escoar drogas para a Europa via Porto de Santos, e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Foragido da Justiça, Fazendeiro é Procurado pela Interpol
Yul foi detido na Colômbia em setembro de 2014, graças a um alerta vermelho da Interpol. No entanto, foi solto posteriormente após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) conceder um habeas corpus, alegando excesso de prazo na instrução criminal, pois o Ministério Público Federal (MPF) ainda não havia apresentado denúncia contra ele.
Desde então, Yul nunca mais foi capturado pela Justiça. Em março deste ano, a 5ª Vara Federal de Santos ordenou a expedição de um novo mandado de prisão contra o colombiano e determinou a reinclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol, reforçando o interesse em sua extradição por vias diplomáticas.














