Uma família baleada no Méier na noite de sexta-feira (21) trouxe à tona, mais uma vez, a sensação de insegurança no bairro da Zona Norte do Rio. Câmeras de segurança flagraram o momento em que um policial militar de Minas Gerais reagiu a um assalto na Rua Amaro Cavalcanti enquanto voltava para casa acompanhado dos avós, após assistir à apresentação de balé da filha.
Segundo o relato do próprio PM, o garupa de uma moto apontou a arma e anunciou o assalto. Diante da ameaça, ele acelerou e lançou o carro contra os criminosos. Na sequência, perdeu o controle da direção e bateu no muro da linha do trem. Só vi o clarão do tiro, afirmou o soldado, que foi atingido nos dois ombros.
Os avós, ambos idosos, também foram baleados. O avô, coronel da reserva da PM do Rio, de 81 anos, levou um tiro no braço esquerdo. Já a avó, de 79 Qanos, sofreu ferimentos no ombro e no cotovelo, provocados pelo impacto da batida e pelo disparo feito pelos assaltantes. Olhei para o meu avô, os airbags estourados, minha avó caída no banco. Saí do carro dizendo que estava baleado, contou o policial.
Após os tiros, os suspeitos fugiram roubando outra moto e abandonaram a primeira motocicleta durante a fuga. A família foi socorrida por moradores e encaminhada ao Hospital Municipal Salgado Filho. O policial e o avô receberam alta ainda na noite de sexta-feira, enquanto a idosa foi transferida para uma unidade particular na Zona Sudoeste.
A investigação ficou a cargo da Delegacia de Todos os Santos, que analisa as imagens coletadas pelas câmeras de segurança e realizou perícia na moto deixada pelos criminosos, que pode ajudar na identificação dos suspeitos.
Para moradores da região, o episódio apenas reflete o cenário diário de violência. Um muro próximo à linha do trem tinha a palavra “ladrão” pintada, como forma de alerta a pedestres e motoristas — o aviso, no entanto, foi coberto com tinta branca no dia seguinte ao ataque. Eles pulam o muro da linha do trem para roubar. É quase todo dia, relatou um vizinho. Outro morador completou: A gente vive com medo.
Abalado, o policial desabafou sobre a violência no local: Infelizmente, a cidade onde cresci não dá vontade de voltar. Só volto por causa da família.














