A Fundação de Apoio à Escola Técnica manteve o funcionamento normal das suas unidades na Zona Norte do Rio de Janeiro nesta semana, mesmo após a região contabilizar 56 tiroteios recentes que assustaram moradores e alunos.
A decisão de manter o calendário acadêmico sem alterações atinge diretamente centenas de estudantes, professores e funcionários que precisam se deslocar diariamente em meio ao clima de tensão. Nas redes sociais e na porta dos estabelecimentos de ensino, pais expressam receio com a rotina de violência constante nos arredores dos campi.
Aulas mantidas geram preocupação entre alunos e famílias na Zona Norte
As unidades da rede localizadas em bairros como Quintino, Marechal Hermes e Madureira continuam operando com portões abertos. Para quem depende do transporte público logo cedo ou no período da noite, a jornada até a sala de aula se tornou um desafio diário marcado pela incerteza e pelo medo de confrontos armados imprevisíveis.
A rotina das comunidades no entorno tem sido frequentemente alterada por operações policiais e disputas entre grupos criminosos rivais. Mesmo quando a violência fecha o comércio local ou atrasa a circulação de linhas de ônibus tradicionais, os portões das escolas técnicas continuam abertos aos alunos que conseguem chegar aos locais.
Muitos estudantes relatam que precisam monitorar grupos de mensagens instantâneas e aplicativos de tiroteios antes de sair de casa para decidir se é seguro caminhar até o ponto de ônibus. A falta de um protocolo unificado de suspensão imediata de atividades presenciais em momentos de pico de tiros é uma das principais reclamações das famílias atingidas.
Qual é o impacto na rotina dos estudantes e profissionais da rede?
O clima de insegurança afeta diretamente a frequência e o rendimento escolar. Em dias de confronto mais intenso nas proximidades de morros e favelas da Zona Norte, diversos alunos faltam às avaliações por impossibilidade de transitar pelas ruas do bairro, gerando acúmulo de demandas pedagógicas.
Além dos alunos, professores e funcionários administrativos relatam apreensão ao cumprir seus horários de trabalho. Quem leciona no turno da noite enfrenta desafios ainda maiores para retornar para casa, já que o fluxo de veículos e pedestres diminui drasticamente e o risco de abordagens violentas aumenta no trajeto até as estações de trem e BRT.
A dinâmica dos arredores das unidades também sofre impactos econômicos e sociais. Pequenos comerciantes e vendedores ambulantes que trabalham no entorno das escolas relatam queda no movimento nos dias em que confrontos são registrados no bairro, afetando a renda familiar de quem depende do movimento escolar.
O que dizem a Faetec e os órgãos oficiais de segurança pública?
A Fundação de Apoio à Escola Técnica, vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, orienta que a direção de cada unidade escolar possui autonomia para avaliar as condições de segurança do entorno e tomar decisões pontuais, incluindo o abonamento de faltas de alunos impossibilitados de comparecer.
Por sua vez, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro informa que realiza o policiamento ostensivo e preventivo nas vias de acesso às escolas por meio dos batalhões da área, como o 9º BPM (Rocha Miranda) e o 41º BPM (Irajá). A corporação destaca que intensifica as patrulhas nos horários de entrada e saída dos turnos escolares.
No entanto, a comunicação oficial ressalta que operações policiais programadas levam em consideração dados de inteligência, buscando mitigar os riscos à população civil. A Polícia Civil também atua na investigação das organizações criminosas que atuam na região para reduzir a incidência de tiroteios e roubos de rua.
Como fica a região nos próximos dias em termos de transporte e rotina?
O funcionamento do transporte público na Zona Norte exige atenção constante dos passageiros. Linhas de ônibus e vans que cobrem o trajeto de bairros como Cascadura, Quintino, Madureira e Penha podem sofrer desvios temporários de rota sem aviso prévio caso ocorram bloqueios de vias ou tiroteios repentinos.
As estações de trem da SuperVia e os corredores do BRT continuam operando como alternativas para o deslocamento dos estudantes, mas a recomendação das autoridades de trânsito é que os passageiros acompanhem as atualizações dos canais oficiais antes de sair de casa.
Escolas e postos de saúde municipais localizados nos mesmos bairros acompanham de perto os boletins emitidos pelas forças de segurança para decidir se interrompem o atendimento. A orientação geral para moradores e alunos é evitar permanecer em áreas abertas durante momentos de instabilidade no bairro.
Como denunciar situações de risco e atividades criminosas
A participação da população é fundamental para que as forças de segurança identifiquem pontos críticos e atuem no combate ao crime organizado na Zona Norte. Quem tiver informações sobre esconderijos de armas, criminosos ou locais de confronto pode fazer a denúncia de forma totalmente anônima.
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: Atendimento pelo telefone (21) 2253-1177, com funcionamento 24 horas por dia. É garantido o anonimato absoluto.
- Aplicativo Disque Denúncia RJ: Disponível para celulares, permite o envio de fotos, vídeos e relatos de forma sigilosa.
- Emergência com a Polícia Militar: Ligue para o número 190 sempre que presenciar tiroteios, roubos ou situações de risco iminente.
- Central 1746 da Prefeitura: Para relatar problemas de iluminação pública ou sinalização no entorno das escolas.
O que fazer em caso de disparo de arma de fogo perto da escola
Se você for surpreendido por um tiroteio no trajeto ou na porta da unidade de ensino, mantenha a calma e adote procedimentos de proteção imediata recomendados pelas autoridades de defesa civil e segurança:
- Procure abrigo imediatamente em construções sólidas de alvenaria, evitando ficar atrás de portas de vidro, grades ou veículos estacionados.
- Mantenha-se abaixado e afaste-se de janelas, varandas e aberturas voltadas para a rua.
- Caso esteja dentro de sala de aula, deite no chão longe de janelas até que os disparos cessem completamente.
- Não tente filmar ou fotografar o confronto se isso expor sua integridade física ao risco.
- Aguarde a confirmação de que a área está segura por parte das autoridades ou da direção da escola antes de se movimentar.














