Facções Criminosas Investem em Mineração de Criptomoedas para Lavar e Gerar Dinheiro em Áreas Controladas
A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) desvendaram um novo e sofisticado método de lavagem de dinheiro utilizado por facções criminosas: a mineração de criptomoedas em fazendas clandestinas. Essas operações ilegais foram encontradas em locais estratégicos, como Duque de Caxias, no Complexo da Maré e no Complexo do Lins, áreas sob forte domínio do crime organizado.
A descoberta mais recente em Duque de Caxias revelou um galpão com mais de 100 computadores e equipamentos industriais operando 24 horas por dia. A energia utilizada para alimentar essa estrutura era furtada, através de ligações clandestinas conhecidas como “gatos”, gerando um prejuízo que, segundo as autoridades, é repassado para a população nas tarifas de energia.
A mineração de criptomoedas, como o Bitcoin, consiste em usar computadores potentes para resolver complexos problemas matemáticos, validando transações na blockchain. Como recompensa, os mineradores recebem frações dessas moedas digitais, que possuem alto valor de mercado. Essa atividade, segundo a promotora Glaucia Rodrigues, do Gaeco/MPRJ, se tornou uma fonte de renda extremamente lucrativa para as organizações criminosas.
O Poder das Criptomoedas na Lavagem de Dinheiro
O uso de criptomoedas oferece uma vantagem significativa para as facções criminosas: a **dificuldade de rastreamento**. Diferente do sistema financeiro tradicional, as transferências entre carteiras digitais podem ser feitas de forma descentralizada e transnacional, tornando a investigação policial um desafio ainda maior. O economista André Mirsky explica que as transações saem do controle de órgãos reguladores como o Banco Central, complicando o rastreamento dos fundos.
A estrutura encontrada em Duque de Caxias era operada remotamente, monitorada por câmeras, o que dispensava a presença física de pessoas no local. Essa sofisticação tecnológica demonstra o investimento das facções em métodos que garantam segurança e anonimato para suas operações financeiras ilícitas. A delegada Camila Pegorim, da DRCI, ressalta que o consumo de energia dessas fazendas equivale ao de um pequeno condomínio.
Expansão Territorial e Controle do Crime Organizado
As investigações apontam que essas fazendas de mineração não são incidentes isolados. Em junho, uma estrutura similar foi encontrada no Complexo da Maré, durante uma operação contra o Terceiro Comando Puro (TCP). Em maio, outra fazenda foi descoberta no Complexo do Lins, área controlada pelo Comando Vermelho (CV). Todas compartilham a característica do uso de energia roubada.
Além de lavar o dinheiro obtido com atividades criminosas, a mineração de criptomoedas serve como um gerador de novos recursos. Isso fortalece financeiramente as facções, permitindo que elas **ampliem seu poder e controle sobre os territórios** onde atuam. A delegada Camila Pegorim também aponta que as facções controlam o acesso à internet nas comunidades, levantando preocupações sobre a segurança e o uso dos dados trafegados nessas redes.
Prejuízos e o Impacto na Sociedade
O furto de energia elétrica para alimentar as fazendas de criptomoedas representa um **prejuízo significativo para as concessionárias de energia**, um custo que, inevitavelmente, é repassado para toda a população através do aumento nas tarifas. A promotora Glaucia Rodrigues enfatiza que “quem paga a conta somos nós, a população em geral”.
A Polícia Civil considera o uso dessas tecnologias uma estratégia das facções para consolidar o domínio em áreas de atuação. A capacidade de gerar receita própria e a dificuldade de rastreamento tornam a mineração de criptomoedas um atrativo perigoso e lucrativo para o crime organizado, que busca cada vez mais se modernizar para manter e expandir suas operações.














