A Prefeitura anunciou nesta sexta-feira (16) a expansão de motofaixas no Rio até 2028, com a meta de atingir 200 quilômetros de vias exclusivas para motocicletas. A medida faz parte de um novo plano de segurança viária e foi apresentada durante o movimento Maio Amarelo, em evento realizado no Centro de Operações Rio (COR). O plano inclui também a restrição de motos em vias expressas e parcerias com empresas de aplicativos, como iFood e 99.
Atualmente, a capital fluminense conta com apenas 6 quilômetros de motofaixas — trechos como a Autoestrada Lagoa-Barra e a Avenida Rei Pelé, no Maracanã. Ainda em 2024, esse número será ampliado com corredores nas zonas Sul e Oeste: Avenida das Américas (33 km), Rua Mário Ribeiro (2 km), Avenida Borges de Medeiros (7 km) e Avenida Epitácio Pessoa (8 km).
A meta para 2025 é alcançar 50 km de motofaixas, com extensão gradual até atingir os 200 km prometidos em 2028. As novas áreas planejadas incluem vias na Zona Sul (Copacabana, Ipanema, Leblon), Zona Norte (Grande Méier e Grande Tijuca), Centro, Linha Amarela e um trecho da Linha Vermelha.
Além da ampliação das motofaixas, o plano prevê novas restrições para circulação de motos. A partir de junho, motociclistas não poderão trafegar nas pistas centrais da Avenida Presidente Vargas, sendo obrigados a usar as laterais. O mesmo vale para a Avenida das Américas e para a Avenida Brasil, onde a instalação de motofaixas foi considerada inviável, segundo a Prefeitura.
Outra medida anunciada é o limite de velocidade para motos em toda a cidade, que passará a ser de até 60 km/h. A Secretaria de Transportes e a CET-Rio afirmam que as mudanças visam reduzir o número de acidentes e preservar vidas. “A Presidente Vargas tem um alto número de atropelamentos. É fundamental que todos façam a sua parte”, disse Maína Celidonio, secretária municipal de Transportes.
A decisão tem base em dados preocupantes: de 2023 para 2024, o número de acidentes de trânsito no Rio cresceu 18%, com mais de 27 mil ocorrências. Acidentes com motos aumentaram 24%, somando quase 21 mil casos. No primeiro trimestre de 2025, as mortes no trânsito cresceram 43%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
Entre os acidentes com vítimas, 69% envolvem motociclistas. No total, foram registrados 9.658 acidentes com motos apenas nos três primeiros meses deste ano. A gravidade da situação impacta diretamente a saúde pública: em 2024, foram mais de 19 mil atendimentos médicos a vítimas de acidentes com motos — um aumento de 32% em relação ao ano anterior.
“Esses acidentes geram impacto direto sobre o custo da saúde pública. Deixamos de atender pessoas com doenças inevitáveis para socorrer vítimas de acidentes evitáveis”, afirmou o prefeito Eduardo Paes.
Diante do crescimento do número de entregadores por aplicativo — estimado em seis vezes nos últimos quatro anos —, a Prefeitura firmou um compromisso com plataformas como iFood e 99. A parceria prevê intercâmbio de dados, como velocidade média e quilometragem rodada, e o desenvolvimento de políticas públicas para reduzir os riscos no trânsito.
“Disse às plataformas que não vou proibir o serviço, mas quem não colaborar, sem estrutura organizacional de controle, estará sendo no mínimo conivente com mortes. Vamos cobrar essa responsabilidade”, completou Paes.
O município ainda não divulgou os custos da implementação das novas motofaixas, mas promete anunciar os valores nos próximos meses. A proposta busca não apenas reordenar o trânsito da cidade, mas também enfrentar os altos índices de sinistros envolvendo motos.














