A exoneração na saúde do RJ ganhou destaque nesta terça-feira (28) após o governador interino, Ricardo Couto, oficializar a saída da secretária de Saúde, Claudia Mello, e do subsecretário de Comunicação, Igor Marques. As mudanças foram registradas como “a pedido”, mas, na prática, representam uma ruptura importante dentro da estrutura de poder do governo estadual.
Ambos haviam sido nomeados durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro e integravam um grupo político que concentrava decisões estratégicas no Palácio Guanabara desde 2020, quando Castro assumiu o comando do estado. A saída simultânea indica o fim desse ciclo dentro da administração pública estadual.
A gestão de Claudia Mello esteve diretamente associada a um dos episódios mais graves da saúde pública recente no país: a contaminação de pacientes transplantados por HIV após receberem órgãos infectados. O caso teve origem em exames com resultados falso-negativos realizados pelo laboratório PCS Lab Saleme, contratado pela Fundação Saúde, vinculada à Secretaria de Saúde.
Em 2024, a Justiça tornou réus seis envolvidos no caso e chegou a decretar a prisão preventiva dos acusados. Atualmente, todos respondem em liberdade enquanto o processo segue em andamento.
Já Igor Marques era um nome de confiança de Cláudio Castro desde sua atuação na Câmara dos Vereadores do Rio, em 2016. Em 2024, o jornalista prestou depoimento na CPI da Transparência, na Alerj, que investigava gastos com publicidade do governo estadual, ampliando sua exposição no cenário político.
Com a mudança no comando, o novo secretário estadual de Saúde será o médico urologista Ronaldo Damião, atual pró-reitor de Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A nomeação rompe uma tradição recente de indicações políticas ligadas ao deputado federal Dr. Luizinho, que influenciou diretamente os nomes à frente da pasta nos últimos anos.
Ronaldo Damião, de 75 anos, possui trajetória consolidada na área médica. Durante a pandemia de Covid-19, foi diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto e também já presidiu a Sociedade Brasileira de Urologia. Ele é reconhecido ainda como um dos responsáveis por impulsionar no Brasil a campanha Novembro Azul, voltada à conscientização sobre a saúde do homem e a prevenção do câncer de próstata.
A reconfiguração promovida por Ricardo Couto sinaliza uma nova fase na gestão estadual, com possíveis desdobramentos políticos e administrativos nos próximos meses. Nos bastidores, a movimentação é vista como um reposicionamento estratégico que pode impactar diretamente o rumo das decisões no governo do Rio.














