A estrutura de bar cobre estátua de Cazuza no Leblon e provocou debate entre moradores, Prefeitura e o estabelecimento responsável pelo evento. A tenda foi instalada no último domingo (8) durante o projeto “Chopp Brahma na Praça”, realizado nas proximidades da Rua Dias Ferreira com a Avenida Ataulfo de Paiva, na Zona Sul do Rio.
A montagem ocupou parte da Praça Cazuza e acabou restringindo o acesso do público ao monumento que homenageia o cantor Cazuza, o que gerou reclamações de frequentadores e moradores da região. O evento contou com apresentação do sambista Dudu Nobre e atraiu grande público ao entorno do bairro.
Em nota, o Boteco Boa Praça afirmou que a tenda foi montada de forma temporária, com módulos de rápida instalação, e sem interferências permanentes no espaço público. O estabelecimento alegou ainda que o evento ocorreu dentro da área já autorizada para o funcionamento do bar e que paga regularmente a Taxa de Uso de Área Pública.
“Pagamos a taxa para o espaço que ocupamos no funcionamento do bar e o evento foi feito dentro dessa área. Tudo de acordo com a autorização que já temos”, informou o restaurante.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública, no entanto, esclareceu que o pagamento da taxa autoriza apenas a colocação de mesas e cadeiras em calçadas por estabelecimentos com alvará válido, desde que seja mantido um corredor livre mínimo para a circulação de pedestres. Segundo a pasta, a licença não inclui a instalação de estruturas adicionais, como tendas e pórticos.
Ainda de acordo com a secretaria, apesar de o bar possuir autorização para música ao vivo e cercamento da área, não houve comunicação prévia sobre a realização do evento específico nem autorização para a estrutura montada. Uma equipe técnica deve retornar ao local para verificar a situação e avaliar eventuais medidas.
A Seop informou também que autorizações desse tipo podem ser revogadas a qualquer momento e não configuram direito adquirido. Nos últimos dois meses, segundo a pasta, cerca de 200 multas foram aplicadas na Zona Sul por ocupação irregular de calçadas e áreas públicas.
O Boteco Boa Praça afirmou que pretende realizar novas edições do projeto ao longo do ano e garantiu que futuras ações serão feitas com as devidas autorizações e cuidados. Enquanto isso, a polêmica reacende o debate sobre o uso de espaços públicos no Leblon, especialmente quando eventos privados interferem no acesso a praças e monumentos culturais da cidade.














